Clau Soares
A responsabilidade dos pais diante do uso de drogas por crianças e adolescentes
“Se não quer ter trabalho, não tenha filhos”. A advertência remete para um problema real da atualidade: a falta de compromisso dos pais em relação a seus rebentos. Sob a alegação de que falta de tempo, ou até disposição física e psicológica para educar, muitos pais têm deixado para a escola, vizinhos, amigos, a responsabilidade de preparar as crianças e adolescentes para o mundo. O resultado disso é uma geração mais próxima das drogas e, ainda pior, da criminalidade.
Em pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Promoção da Paz (Sepaz), 51 % dos dependentes químicos que estão em recuperação em Alagoas, informaram que o primeiro contato com as drogas foi por meio do álcool ou dos cigarros. É assustador. Os jovens confessam ainda que o acesso às drogas lícitas – álcool e cigarros – ocorreu no meio familiar.
É ainda mais impressionante o fato de que um alto número de jovens pesquisados informa que a primeira vez que usaram drogas tinham entre 7 e 11 anos. Nesta faixa etária, é comum que os familiares levem as crianças a bares ou ingiram álcool na presença delas, deixando subentendido que o consumo da droga, ainda que lícita, não é uma atitude reprovável.
A evolução para drogas mais pesadas é rápida: em seguida vem a maconha, a cocaína, o crack- a febre que transforma humanos em zumbis. Da dependência química à prática de crimes para manter o vício é quase sempre uma linha reta vertiginosa. O filho amado passa a ser também um fora da lei.
É, neste contexto, de vulnerabilidade de crianças e adolescentes, que a campanha “Acolha seu filho antes que as drogas o adotem” da Sepaz acaba por ser um verdadeiro puxão de orelha nos pais. Os adesivos e cartazes espalhados pelo Estado lembram que cabe à família “acolher” seus filhos, orientando-os e chamando para si a responsabilidade de seu desenvolvimento psíquico e social.
É ainda no seio familiar que o indivíduo forma a sua personalidade e apreende os exemplos que deverão orientar suas decisões. Vale a reflexão: seria o bar ambiente mais adequado para levar alguém neste estágio de vida? Transformar o consumo de álcool e cigarro em rotina dentro de casa é o melhor exemplo?
Tanto o álcool quanto as drogas ilícitas causam estragos, muitas vezes, irreversíveis.
É preponderante que a família seja sensibilizada e acorde para a responsabilidade que ter filhos impõe.
Amar um filho é mais que apenas abraçá-lo – embora o carinho seja fundamental, pagar a mesada ou atender a seus caprichos, é também e, principalmente, a imposição do diálogo, do exemplo e das orientações ainda que os pais saiam das discussões de consciência pesada e coração partido e os filhos, em lágrimas. Ser mãe e pai, como dizem, “é padecer no paraíso”, ou seja, sofrer em meio à felicidade.
E para quem quer ter filhos e não pretende cuidar deles vale rever os planos.
Sobre o blog
Jornalista, especializada em Comunicação Empresarial. Assessora de comunicação. Interessada em cultura digital, empreendedorismo e pessoas.Arquivos
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