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Júlio Cezar usa Justiça para punir e intimidar quem critica sua gestão

Prefeito de Palmeira dos Índios não aceita reclamações e faz ameaça de processo à população

07/07/2020 18h06
Júlio Cezar usa Justiça para punir e intimidar quem critica sua gestão

O administrador de empresas Fernando José teve que fazer um acordo extrajudicial com os advogados do prefeito de Palmeira dos Índios, Júlio Cezar (PSB), para não ir parar na Justiça. Ele usava as redes sociais para denunciar falhas da gestão municipal, como ruas esburacadas, falta de iluminação e a ausência de transparência no trato com os recursos públicos. O acusado teria revelado a amigos que ficou surpreso com a postura do gestor, que usou um grupo de amigos "para fazer política e se vitimizar".

Num grupo de whatsapp que discute a política local, o médico Hélio Morais – sem citar nomes – fez referência aos ataques públicos da desembargadora Elizabeth Carvalho e de importantes figuras políticas ao prefeito Júlio Cezar, e lembrou que nenhum deles chegou a ser processado.

“Li em jornais alagoanos ataques ferozes, contundentes e irônicos de uma deputada estadual e de outros deputados contra um prefeito agrestino, além de ataques incisivos de uma desembargadora e até o momento ninguém ousou revidar com processos”, disse, lembrando ainda o ditado popular: “Manda quem pode (recados ou advertências) e obedece quem tem juízo”.

Pelas ruas da cidade o posicionamento do prefeito é considerado intimidador. “Quem falar mal da gestão recebe uma ligação dos advogados dele. O pior são os assessores que ficam de piadinha, zombando da cara das pessoas”, disse um comerciante local, que optou por ter o nome preservado.

Em matéria compartilhada por assessores, o prefeito alega que só procurou a Justiça “a fim de reparar os danos causados nas redes sociais quanto a sua imagem”. Mas a verdade é que ele tenta evitar mais denúncias contra sua gestão. Não bastasse isso, ele ainda usa de emissoras de rádio para disseminar as ameaças de processos contra a população: “Quem falar mal de mim, vai parar na delegacia e na Justiça”, teria dito o gestor numa emissora local.     

Conhecido como “Imperador” por conta da sua arrogância e prepotência, o prefeito Júlio Cezar tentará a reeleição usando a Justiça para tentar calar todos àqueles que apontam os erros de sua gestão. Talvez por imaturidade ou por falta de uma assessoria competente, Júlio Cezar não percebe que as críticas são uma oportunidade de corrigir as falhas.

Sobre o blog

Governo ou Senado? Após deixar a Prefeitura, JHC terá dois caminhos decisivos para 2026

Com o avanço das articulações políticas para 2026, o cenário envolvendo o prefeito de Maceió, JHC, começa a ganhar contornos mais definidos — ainda que cercados de incertezas nos bastidores.

Após deixar o comando da capital alagoana, JHC terá, na prática, dois caminhos principais: disputar o Governo de Alagoas ou entrar na corrida por uma vaga no Senado Federal.

Nos bastidores, interlocutores avaliam que o prefeito vem trabalhando com ambas as possibilidades de forma estratégica. A eventual candidatura ao Governo surge como um movimento natural, considerando sua projeção política e capital eleitoral. Por outro lado, a disputa pelo Senado aparece como uma alternativa considerada mais segura e com menor desgaste político.

A leitura entre lideranças é de que a definição final dependerá diretamente do cenário político estadual, especialmente da composição de alianças e do posicionamento de grupos tradicionais.

A filiação ao PSDB, acompanhada pela primeira-dama Marina Candia e pela senadora Eudócia Caldas, reforça que o grupo já está inserido em um projeto maior, mirando protagonismo nas eleições.

Apesar disso, a ausência de uma definição clara sobre qual cargo será disputado tem alimentado dúvidas entre aliados e lideranças políticas. A avaliação é que o tempo de indefinição pode impactar diretamente na construção de confiança e na consolidação de apoios.

Nos bastidores, a percepção é objetiva: JHC joga em duas frentes, mas, ao deixar a prefeitura, precisará fazer uma escolha definitiva e essa decisão tende a redesenhar completamente o tabuleiro político de Alagoas para 2026.

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