'Louquinho' e obcecado por treinos, Sampaoli é o paizão da seleção chilena
A classificação antecipada do Chile às oitavas de final da Copa do Mundo, com direito a olé contra a Espanha, tem muito a ver com o trabalho de Jorge Sampaoli.
E também com a disposição dos atletas, que entenderam o jeito obsessivo do técnico e formaram uma família.
Às 13h desta segunda-feira, na Arena Corinthians, uma vitória contra a Holanda garante aos chilenos o primeiro lugar do Grupo B. Surpresa?
Argentino de Santa Fé e fanático pelo River Plate (ARG), Sampaoli, de 54 anos, é treinador desde os 31 - a carreira de jogador acabou aos 17, após fratura exposta na perna.
Quando dirigia as categorias inferiores do Newell's Old Boys (ARG), no início dos anos 90, ele ficou fissurado por Marcelo "El Loco" Bielsa, que comandava os profissionais.
Tornou-se um "Louquinho". O próprio diz que virou "bielsadependente", a ponto de gravar as entrevistas do mestre para ouvir enquanto corria. Com "El Loco" na seleção argentina, entre 1998 e 2004, ia aos treinos para conhecer seus métodos. E era só um fã...
Bielsa estava na seleção chilena quando Sampaoli chegou ao país, em 2010, para iniciar o trabalho que o tornou conhecido: os títulos e o bom futebol da Universidad de Chile o levaram, dois anos depois, ao posto que era de seu ídolo. Chegou para substituir Claudio Borghi, que penava nas Eliminatórias, e deu certo.
Jornalistas chilenos contam que Sampaoli é mais aberto à imprensa, mas o consideram mais obcecado por trabalho que Bielsa, o que gerou contestações durante a preparação.
Quem joga na Europa não teve o descanso fornecido por outras seleções. Outros, como o meia palmeirense Valdivia, deixaram seus clubes antes do prazo obrigatório a pedido do comandante, que se esforça para não deixar ninguém desamparado.
Se não pode viajar para assistir às partidas de seus comandados, telefona com frequência. Se não pode telefonar, pede que o auxiliar Sebastián Beccacece o faça. Sexo na concentração? Proibido.
Mas todos abraçaram a causa, embora a imprensa contestasse o ritmo intenso e o culpasse pela série de lesões que assombrou La Roja às vésperas do Mundial.
Não estava completamente errada: o departamento médico do Palmeiras chegou a enviar e-mails para a comissão técnica chilena solicitando que o protocolo especial elaborado no clube para evitar que Valdivia se lesionasse fosse seguido.
Com medo de perder a chance de ir à Copa, o jogador participava das puxadas atividades mesmo depois de longas viagens e se acostumou a voltar com algum problema muscular.
Em troca do sacrifício, Sampaoli fez de tudo para contar com todos os soldados. O melhor exemplo é o volante Vidal, que operou o joelho no início de maio e chegou ao Mundial contrariando prognósticos. Uma aposta do técnico.
O paizão Sampaoli, que às vezes parece mais com um irmão mais velho de seus comandados, é quem conduz uma das melhores gerações da história do Chile. Até onde vai?
SAMPALOCO?
Torcedor - O jovem Sampaoli viajava até 12 horas para ver o River. Seu cão se chamava Leopoldo Luque, nome de um ex-jogador do clube.
Fã - Conheceu Claudio Vivas, auxiliar de Bielsa, quando ia a treinos do ídolo. Foi ele quem o apresentou a Sebastián Beccacece, hoje seu auxiliar.
Técnico - Rodou pelo Peru, passou pelo Equador e brilhou no Chile: tricampeão nacional e campeão da sul-americana com La U. É um obcecado.
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