Tocha percorrerá até lugares desabitados de Brasília
A tocha olímpica inicia seu revezamento no Brasil nesta terça-feira, 3, com menos da metade do percurso aberto ao público. Serão 105 quilômetros percorridos dentro do quadrilátero federativo em quase 12 horas de desfile, mas só em 40 quilômetros a chama será conduzida por algum convidado dos patrocinadores.
Os patrocinadores escolheram os locais pelos quais a tocha irá passar. Por este motivo, o revezamento terá trechos em lugares ermos, pouco familiares, sem apelo turístico, histórico ou cultural para a capital. Tudo isso para contemplar com uma visita as empresas financiadoras do evento.
No início da tarde, por exemplo, o fogo olímpico percorrerá um bairro chamado SIA (Setor de Indústria e Abastecimento), uma área de oficinas, garagens, lojas de material de construção, galpões vazios e revenda de veículos. Não há moradias neste local, o asfalto é muito desnivelado em razão do trânsito pesado de caminhões. Está previsto que o atleta paraolímpico Alan Fontelles, biamputado, que usa próteses nas duas pernas, carregue a tocha nesta região. Ele ainda não decidiu se desfilará com as sensíveis próteses de lâminas de fibra carbono que utiliza nas competições.
A tocha passará por ali para fazer uma visita a uma concessionária da Nissan, uma das patrocinadoras do revezamento.
A quase 20 quilômetros do SIA, no final de Taguatinga, em uma área desabitada, onde só há indústrias, o revezamento chegará à fábrica da Coca-Cola, outro patrocinador do evento.
No final da tarde, a tocha fecha o trânsito do Setor Comercial Sul, já de volta ao Plano Piloto, para poder ir ao prédio do Bradesco. Esta região é um ponto de muito congestionamento, principalmente às 18h, previsão do horário em que o comboio passará no local.
Nem o governo federal e nem o GDF decretaram ponto facultativo nesta terça-feira, 3. A cidade tentará seguir sua rotina normalmente, ainda que com centenas de avenidas interditadas para a passagem da tocha. Moradores não receberam adesivos de identificação para o carro ou permissão especial para poder ter acesso à porta de casa nos trechos em que a tocha passará.
A organização do evento bate-cabeça, dado que ainda ontem à noite alterou todos os horários do cortejo. Em comparação com as cidades pelas quais a tocha passará, nenhuma outra traçou -até agora- uma rota superior a 30km.
Quando a chama olímpica vencer os 105 quilômetros de Brasília, ela terá sido conduzida a pé, de helicóptero, de rapel, bicicleta, cadeira de rodas, cavalo, dentro de uma piscina (duas piscinas, para ser exato), canoa havaiana…. Tudo isso terá custado aos cofres do Distrito Federal R$ 3,8 milhões. E ainda assim, o governo local não pôde escolher as cidades que receberão o revezamento da tocha.
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