Ex- jogador e atual Senador, Romário pagou por cirurgia experimental e gera polêmica
A cirurgia de interposição ileal entrou em discussão após o senador e ex-jogador de futebol Romário (PSB-RJ) se submeter ao procedimento para controlar o diabetes. Além do debate sobre a eficácia, a intervenção não é reconhecida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pelo CNS (Conselho Nacional de Saúde) e por isso só poderia ser realizada em caráter experimental, seguindo uma série de regras incluindo ser gratuita.
" A cirurgia que tenha caráter experimental só pode ser realizada no âmbito da pesquisa clínica e não na rotina assistencial. O procedimento deve respeitar os preceitos éticos, que determinam que os participantes da pesquisa tenham ressarcidos todos os gastos que tiverem decorrentes do estudo. Portanto, não é aceitável do ponto de vista ético que os pacientes paguem para realizar um procedimento considerado experimental". A declaração é do médico José Humberto Fregnani, membro titular da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.
O procedimento também precisaria estar vinculado ao comitê de ética de uma instituição de pesquisa.
Em entrevista ao Fantástico, Romário afirmou ter arcado com os custos do procedimento. "Paguei pela cirurgia como as outras pessoas pagaram e bastante consciente que ela iria dar esse resultado", ressaltou.
A diferença dessa técnica, desenvolvida pelo médico goiano Áureo Ludovico de Paula, para a cirurgia bariátrica convencional está na recolocação do íleo (fim do intestino delgado) entre o duodeno e o jejuno, o que aumenta a produção de hormônios da saciedade e melhoram o diabetes. O custo da cirurgia só é informado ao paciente após a realização de exames prévios.
Em nota a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) reforçaram que não há evidências que comprovem a eficácia do procedimento no tratamento da diabetes tipo 2 para pacientes com IMC abaixo de 35.
Na Justiça, sete famílias de pacientes de Ludovico alegam que os parentes morreram em decorrência de complicações da cirurgia, e outras sete declaram ter ficado com sequelas graves.
Tranquilo
Romário também afirmou estar ciente dos riscos do procedimento. Pelo menos sete pacientes que passaram pela cirurgia morreram. "Eu sabia de tudo. Tudo o que eu fiz foi bastante consciente. Li muito sobre isso, conversei muito sobre isso", disse. "Cada pessoa reage de uma forma. Meus sentimentos às famílias que perderam os seus entes queridos, mas eu penso diferente e só posso falar por mim", disse o senador.
Ludovico de Paula enfrenta uma ação civil do Ministério Público Federal na Justiça, que pede a proibição da cirurgia, e três processos na Justiça comum por danos morais, materiais e estéticos.
O médico disse que o procedimento é extremamente seguro. "Pondera-se no entanto que existem riscos inerentes a qualquer procedimento e os riscos inerentes ao próximo estado do diabetes", afirmou Ludovico de Paula
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