Ídolo francês defende craque brasileiro: "Neymar fala, mas podemos ouvi-lo?"
Ex-atacante Thierry Henry deu uma longa entrevista ao jornal L'Equipe
Campeão do Mundo em 1998, o ex-atacante Thierry Henry deu uma longa entrevista ao jornal L'Equipe. Um dos assuntos que mais chamou atenção foi o tabu da saúde mental em jogadores de futebol. O francês falou de sua experiência pessoal, mas também valorizou a situação de estrelas do mundo do esporte como Messi, Neymar ou Simone Biles.
"Neymar falou muitas vezes em suas últimas entrevistas sobre seu bem-estar, sobre a pressão... Então meu primeiro pensamento foi: 'Ele está bem?' Ele fala, mas podemos ouvi-lo? Ele pede 'ajuda', há coisas na cabeça dele, como qualquer ser humano", analisou Henry.
Ele também valorizou a situação de Leo Messi, que é acusado de não estar no nível exibido no Barcelona. "Você teria que perguntar a ele, não posso falar por ele. Mas quando falamos de Messi ou Neymar, jogadores excepcionais, esquecemos demais dessa dimensão. Quando Lionel chorou deixando o Barcelona, não estava programado. Quando você pensa que nunca vai sair de algum lugar e de repente acontece, cria um choque emocional. As pessoas dizem: "Sim, mas tudo bem, tem tudo o que você precisa em Paris". Mas não é tão óbvio. Quando eu saí do Arsenal para o Barcelona demorei um ano para estar bem... Cheguei lesionado, estava em processo de divórcio, tive que aprender um novo sistema...", comentou.
Henry considera que é muito difícil para um jogador de futebol de elite falar claramente sobre seus medos como fizeram a ginasta Simone Bile ou a tenista Naomi Osaka. "Não sei como as pessoas reagiriam se um jogador de futebol falasse assim no final de uma partida, explicando que não estava mentalmente bem. Na minha época era muito mais difícil, totalmente tabu. Até no grupo. Você veio para o vestiário: 'Você está bem?' - Sim', embora as coisas não estivessem indo bem. ''Dormiu bem? - Sim'' embora não fosse o caso. 'Você está com dor? - Não'', mesmo que tenha dor. Hoje, um jogador pode se abrir mais. Você diz: "Mentalmente, não foi certo." A próxima partida pode tirar muito de você. O que os torcedores adversários vão cantar? 'Ah, ele surtou semana passada!'
Henry também comentou sobre o quão difícil é uma Copa do Mundo para um jogador. "Mentalmente queima uma Copa do Mundo, quer você ganhe ou não. Leva tempo emocional para seguir em frente. Aconteceu comigo. Desde o pós-1998... 1996 eu fiz o Euro (sub 18), 1997 o Mundial Sub 20 Copa e Mundial de 1998. Resultado, uma hérnia de disco. Eu sempre vou lembrar, me mandaram de volta para os sub-21 porque, supostamente, eu não estava fazendo mais esforço. Chorar era impossível. Você não podia mostrar suas fraquezas", explicou.
O ídolo do Arsenal relembrou um fato inusitado que lhe aconteceu com o técnico francês Raymond Domenech.
"Estava conversando com Domenech em Clairefontaine, me viro e de repente não consigo me mexer. As reações naquele momento foram: 'Ele não quer mais jogar’. Não, eu tive uma hérnia. Você quer que eu liste o número de jogos sem interrupção por três anos? Depois de um tempo, você tem que parar. Nós lembramos neste momento que Sérgio Ramos joga todos os jogos há dezessete anos? É normal que em algum momento seu corpo envie um aviso”, finalizou.
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