70% dos atendimentos ortopédicos com idosos envolvem quedas
Acidentes com idosos trazem uma grande preocupação. Isto porque a recuperação física nesta fase da vida é mais difícil, mais complicada e mais lenta. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 70% das quedas em pessoas com mais de 50 anos acontecem nas próprias residências.
O ortopedista do Hospital Geral do Estado (HGE), Rafael Kennedy de Oliveira, contou que a ocorrência de quedas de idosos são mais comuns dentro de casa. “Fizemos um levantamento dentro do hospital, e, a maioria dos acidentes envolvendo idosos, acontece dentro de casa, principalmente, nos banheiros”, explicou o médico.
Ele ressaltou que as quedas nesta fase da vida podem representar gravidade porque muitas vezes causam fraturas de quadril (colo do fêmur, por exemplo) e essas fraturas podem evoluir com complicações, inclusive levando a óbito em taxas que giram em torno 30% no ano que decorre a fratura.
Cícero Morais, 60 anos, técnico de ótica em Atalaia, está internado na área ortopédica do HGE com uma fratura de úmero. Ele caiu no banheiro ao tomar banho. Cícero descreveu que o piso estava muito liso e quando percebeu já estava no chão, em cima do braço esquerdo. “Foi muito rápido, só senti a dor. Imediatamente fui levado para o hospital da região e transferido para o HGE, via ambulância”, contou.
Segundo o ortopedista, o banheiro é o local mais perigoso. “São comuns fraturas do fêmur proximal, punho, úmero superior e vértebras. O piso molhado e tapetes são perigosíssimos no ambiente e em toda a casa”, relatou.
De acordo com Rafael Kennedy, é preciso ficar atento a cômodos com muitos móveis, o que dificulta a circulação das pessoas. “No idoso, as quedas podem resultar em fraturas decorrentes da osteoporose. O uso de vários medicamentos e a dificuldade visual e de equilíbrio próprios da idade são também fatores de risco de queda”, destacou.
Prevenção - Entre os cuidados básicos para evitar os acidentes com idosos, o ortopedista recomendou tornar a casa um ambiente mais seguro de se viver. “É preciso repensar a altura dos armários, a iluminação, a organização dos móveis e a utilização de escadas. No banheiro, por exemplo, a colocação de barras de proteção é fundamental. De preferência, não deve haver box, nem tapetes. O piso não deve ser escorregadio e, se possível, mantê-lo sempre seco”, orientou.
E, em casos de acidentes com suspeita de fraturas, o ortopedista advertiu que o membro, supostamente fraturado, deve ser mobilizado o mínimo possível e o paciente encaminhado ao Hospital Geral. Nos traumas menores, sem risco de gravidade, o gelo deve ser colocado sobre a lesão para prevenir edema e aliviar a dor.
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