Pré-natal é essencial para uma gravidez tranquila, orienta obstetra da Sesau
O anúncio de uma gravidez é sempre motivo de alegria em uma família. Mas para que seja completa e a gestação tranquila, a futura mamãe não pode se descuidar com a sua saúde e, muito menos com a do bebê. Por isso, nessa fase é necessário ter acompanhamento médico através do pré-natal, que prevê a prevenção, a orientação, o esclarecimento e o diagnóstico de qualquer alteração da saúde da gestante e do nenê. O alerta é da obstetra da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Adriana Martins.
O casal, durante o pré-natal, pode esclarecer suas dúvidas, o que é muito importante, já que é possível descaracterizar alguns mitos que são muito frequentes neste período, segundo explica a obstetra. Em nenhum momento, salienta Adriana Martins, a gestante deve se descuidar da saúde, procurando cumprir todas as recomendações médicas e, dessa forma, chegar ao final da gestação com tranquilidade.
“É fundamental o pré-natal, pois evitará complicações e irá assegurar tranquilidade à gestante e ao bebê durante os nove meses de gestação, permitindo que ele nasça com saúde”, diz a obstetra, que integra a Gerência de Saúde da Mulher da Sesau. A médica afirma que ao perceber o atraso na menstruação, a mulher deve ficar atenta e procurar de imediato um obstetra, para verificar se realmente se trata de uma gestação.
Essa visita no início é essencial, porque possibilitará menos riscos e complicações, uma vez que serão adotadas todas as medidas e exames necessários. Alguns fantasmas costumam aparecer durante a gravidez de forma silenciosa, podendo acarretar em uma frustração para mãe, porque ela pode ter a gestação interrompida, caso não tenha tratamento adequado.
“Muitos problemas podem acometer a mulher durante a gravidez, por isso, a necessidade de ter o acompanhamento médico durante os nove meses. Além da hipertensão, a gestante pode ser acometida pela diabetes e anemia, que pode ser uma patologia já existente ou que foi descoberta durante essa fase. Ao detectar uma dessas doenças, o tratamento tem que ser iniciado de imediato, para evitar um parto prematuro ou até mesmo a morte da mãe e do bebê”, observa a obstetra da Sesau.
Isso porque, a hipertensão é a maior causa de morte na gestação, diz a Adriana Martins. E, por isso, a gestante não deve se descuidar e seguir todas as orientações médicas, para manter a pressão arterial controlada. Um descuido acarretará no desenvolvimento do eclâmpsia (uma condição rara, mas grave, que provoca convulsões durante a gravidez).
Periodicidade das Consultas – Em média, uma gravidez dura quarenta semanas, por essa razão além da qualidade das consultas, a frequência é fundamental. Durante o pré-natal, as consultas são mensais até a 32ª/33ª semana, quinzenais, até a 37ª semana e, semanais, a partir da 40ª semana. Após esse período, a gestante deve ser acompanhada pelo obstetra a cada dois ou três dias, uma vez que se aproxima o momento tão esperado pela mãe, que é o nascimento do filho.
É na primeira consulta, ainda de acordo com a obstetra da Sesau, que serão solicitados vários exames como hemograma, glicemia de jejum, tipagem sanguínea + fator RH, sorologias para toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, sífilis, AIDS, hepatite B e C, urocultura + antibiograma, exame de fezes, prevenção do câncer do colo uterino (Papanicolau) e ultrassonografia obstétrica. Muitos destes exames serão repetidos no decorrer do pré-natal, assim como a ultrassonografia, que será realizada conforme a idade gestacional.
A médica diz que além dos exames e consultas, a gestante não pode se descuidar da alimentação. “Alimentos gordurosos, salgados, embutidos e outros devem ser evitados. O ideal é o consumo saudável de frutas, legumes e verduras, porque ajudará a ter uma gestação com qualidade e o bebê nascerá saudável”, recomenda Adriana Martins.
Saúde em primeiro lugar – A obstetra da Sesau destaca que as futuras mamães não devem se descuidar durante a gestação e, ao descobrir a gravidez, devem de imediato procurar o posto de saúde mais perto de sua casa. Isso foi o que fez Fabiana Romão da Silva, 21 anos, que está grávida do segundo filho. Aos sete meses da gestação, a jovem mãe diz que a sua saúde e a do bebê estão em primeiro lugar. Por isso, desde que descobriu que estava gestante, procurou de imediato uma unidade de saúde próxima a sua residência.
“Desde que fui mãe pela primeira vez fiz o pré-natal, porque é importante para saúde dos dois. Tive o cuidado de fazer o acompanhamento porque tenho acesso aos exames e sei como meu filho está se desenvolvendo”, frisou Fabiana, que durante a entrevista estava com os exames em mãos para entrega-los a médica.
Mas algumas mulheres não seguem o exemplo de Fabiana Romão. Aos 21 anos e também na segunda gravidez, Elizabete Cavalcante, está no sexto mês e teve apenas quatro consultas com uma equipe do Programa Saúde da Família (PSF), que passa uma vez no mês na favela em que mora, no Dique Estrada.
O único exame que fez foi uma ultrassonografia, mas não sabe ainda o resultado. A marisqueira, que não concluiu a primeira fase do Ensino Fundamental, se mostrou preocupada com a ausência dos profissionais do PSF e não sabia o que faria, para ter acesso a outros exames, uma vez que, dentro de três meses, o bebê está nascendo.
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