Crianças em situação de trabalho infantil são identificadas em Maceió
Atividades integram programação do Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil no Estado
A pequena E., de 8 anos, ajudava o pai, que trabalha como feirante no Mercado da Produção, no bairro da Levada, em Maceió, embrulhando as compras dos fregueses. K., de 6 anos, debulhava feijão de corda ao lado da mãe, que vende o produto algumas barracas adiante. A cena flagrada na manhã desse sábado (4), infelizmente, é considerada comum entre comerciantes e frequentadores do local.
Cerca de 30 outras crianças foram identificadas pelos integrantes da Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil e passaram o resto da manhã pintando, modelando e conversando com a os profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social envolvidas nas atividades de combate ao trabalho infantil.
“Eu venho quase todos os dias para o mercado e volto para casa à tarde para ir à escola. Mas prefiro ficar com as minhas colegas e brincar quando não estou estudando”, contou E., enquanto usava a massa de modelar para reproduzir aquilo com que mais tem contato no mercado: as frutas.
Segundo a coordenadora estadual do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), Maria Cristina Nascimento, a conversa com as crianças serve exatamente para identificar os casos em que a mão de obra infantil está sendo explorada.
“As equipes de abordagem, composta por assistentes sociais e psicólogos, perguntam às crianças se elas estudam, se vêm com muita frequência para o mercado e outros detalhes da convivência familiar. Enquanto isso, a Procuradoria orienta os pais com relação à exposição das crianças ao ambiente de trabalho e a necessidade delas estarem na escola, em casa ou brincando”, explicou Maria Cristina.
Segundo a coordenadora do Peti, as técnicas também apresentam os serviços que compõem a rede de proteção, como o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, e sugerem o ingresso das crianças em escolas de tempo integral.
Os casos identificados neste sábado serão avaliados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que atua na responsabilização dos supostos exploradores da mão de obra infantil.
De acordo com o secretário de Estado do Desenvolvimento Social, Antonio Pinaud, a Seades tem intensificado seus esforços na conscientização das famílias e no combate ao trabalho infantil em Alagoas.
“Sempre em parceria com os órgãos fiscalizadores e com as equipes dos municípios, estamos aumentando o trabalho de identificação desses casos e orientação dos responsáveis. Nos próximos dias, vamos realizar o Encontro Intersetorial de Ações Estratégicas do Peti, onde pretendemos avaliar o andamento das ações de enfrentamento, compartilhar experiências e buscar sensibilizar os órgãos públicos para a aplicação de medidas protetivas visando à redução dos índices de trabalho infantil em Alagoas”, lembrou Pinaud.
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