Governo do Pará paga R$ 21 mil para lutador carregar tocha olímpica
O governo do Pará pagou R$ 21 mil como ajuda de custo para que o lutador do UFC Lyoto Machida carregasse a tocha olímpica na última quarta-feira em Belém. Radicado nos EUA, Machida disse que o valor foi usado para custear as despesas de “logística” de sua ida à capital paraense.
Antigo campeão meio-pesado do UFC, Machida nasceu na Bahia, mas se mudou ainda criança a Belém e é considerado o principal lutador paraense.
O revezamento da tocha na cidade também teve a participação de personalidades locais, como as cantoras Gaby Amarantos e Fafá de Belém, mas o que chamou a atenção foi o valor gasto com o convite ao lutador.
A quantia foi publicada no portal da transparência do governo estadual e é descrita como um “valor que se empenha referente a apoio para condutor da tocha olímpica Rio-2016 no Pará.”
Muitos contribuintes questionaram o dinheiro gasto em marketing por um Estado que tem feito economia em outras áreas, consideradas mais relevantes.
A Secretaria de Esporte e Lazer, subordinada ao governador Simão Jatene (PSDB), lançou uma nota oficial na qual confirma que pagou para Lyoto participar do revezamento. A pasta disse que sua ação é legal e que recebeu “conotação política”, gerada pela “desinformação da maioria das pessoas”.
Diz a nota da secretaria:
“A secretária Renilce Nicodemos lamenta que a ação esteja recebendo conotação política gerada pela desinformação da maioria das pessoas. A ação é considerada legal do ponto vista da gestão pública, tanto que foi publicada no Portal da Transparência para consulta popular.
Lyoto Machida é referência internacional e considerado um dos melhores lutadores de MMA do mundo, e sempre levou o nome do Estado do Pará em suas aparições públicas nos quatro cantos do mundo. Machida foi recebido carinhosamente pelas centenas de crianças que participaram da festa realizada no [estádio do] Mangueirão.”
O lutador do UFC também lançou uma nota. Ele disse que “conduzir a tocha olímpica foi uma honra” e que realizou "o sonho de participar de uma Olimpíada de maneira diferente, conduzindo seu principal símbolo.”
Diz Lyoto:
“Hoje moro nos Estados Unidos e, em decorrência da minha agenda de viagem para o Pará, a Secretaria de Esporte e Lazer assumiu os custos de logística e aproveitou minha estadia em Belém para ministrar uma palestra para crianças e jovens atendidas por projetos sociais do governo. Como lutador profissional, tenho diversos compromissos desta natureza. Faço seminários em outros continentes como Europa e Ásia, palestras no Brasil inteiro e sou remunerado por isso, o que demonstra unicamente o respeito que os contratantes têm pelo meu trabalho.”
Depois de passar por Belém, a tocha olímpica foi levada a Macapá. O revezamento passará por todas as capitais brasileiras e só acabará em agosto, quando a pira olímpica for acesa no Rio de Janeiro.
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