Campanha de Eduardo Campos pode ter sido financiada por grupo criminoso, aponta investigação
A Polícia Federal afirmou, nesta terça-feira (21), que as empresas envolvidas na Operação Turbulência eram usadas para lavar dinheiro retirado da Petrobras e da Transposição do Rio São Francisco. As investigações da PF se basearam em provas compartilhadas com inquéritos da Justiça Federal de Curitiba e do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato.
Uma dessas frentes é de apuração sobre suposta propina na campanha de reeleição de Eduardo Campos (PSB) ao Governo do Estado em 2010. Através das provas obtidas na Lava Jato e compartilhadas com a Turbulência, a PF descobriu que na campanha de 2014 a construtora OAS pode ter transferido R$ 18 milhões para o esquema de empresas de fachada para financiar campanha de Eduardo.
A verba foi transferida para a empresa de fachada Câmara e Vasconcelos Locação e Terraplanagem. A OAS alega, porém, que o dinheiro seria para obras de terraplanagem da Transposição do Rio São Francisco.
O delegado Daniel Silvestre afirmou que o inquérito que está no STF é sobre uma possível doação ilícita para a campanha de 2010. Teria havido pagamentos posteriores até ao período eleitoral, no primeiro semestre de 2011, provavelmente para dívidas de campanha, segundo a Polícia Federal.
Através de provas obtidas pela Justiça Federal no Paraná, foi descoberto o envolvimento de operadores financeiros ligados a empreiteiras no Recife. “Os operadores do Recife tinham consciência de que se tratava de produto de desvio”, defendeu o delegado.
Dezoito contas bancárias, a maioria delas de empresas e apenas duas de pessoas físicas, movimentaram o dinheiro. Ao todo, a Polícia Federal calcula que R$ 600 milhões foram usados. Dezessete delas têm sede em Pernambuco, principalmente na Região Metropolitana do Recife, e apenas uma em Goiás. Há indícios, porém, de que havia braços da organização no Uruguai.
Foram presos dois empresários no Recife: Apolo Santana Vieira e Arthur Roberto Lapa Rosal. Outros dois estavam em São Paulo e foram trazidos para o Recife. Segundo a PF, policiais acompanharam a viagem de Eduardo Freire Bezerra Leite e João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho para a cidade durante a madrugada e deram voz de prisão ao chegar ao destino. Paulo César de Barros Morato não foi localizado e é considerado foragido.
Os presos devem ser indiciados por lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, de acordo com o nível de envolvimento no esquema. Se condenados podem pegar penas que variam de 3 a 10 anos e de 3 a 8 anos de prisão, respectivamente.
Foram apreendidas três aeronaves, sendo dois helicópteros e um avião, com valor estimado em R$ 9 milhões. Além disso, quatro carros de luxo e R$ 10 mil. A PF conseguiu cumprir 35 mandados de busca e apreensão, 16 de coerção coercitiva e quatro de prisão.
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