Júri absolve acusado de participação na morte do vereador Fernando Aldo
Jurados consideraram réu culpado por formação de quadrilha, mas juiz declarou extinta punibilidade
O Tribunal do Júri absolveu o réu Eliton Alves Barros, acusado de participação no assassinato do vereador Fernando Aldo, do crime de homicídio qualificado. Em julgamento concluído na noite dessa segunda-feira (24), os jurados consideraram Eliton culpado apenas por formação de quadrilha, mas o juiz John Silas da Silva reconheceu a prescrição do crime e declarou extinta a punibilidade.
O magistrado, titular da 8ª Vara Criminal de Maceió, também revogou a prisão do réu.
O julgamento foi iniciado às 14h. Ao ser interrogado, o réu negou participação no assassinato. "Sou inocente. No dia do crime estava em São Paulo trabalhando", afirmou. Eliton Alves disse que não conhecia a vítima e que nunca esteve no local do homicídio, no município de Mata Grande, interior de Alagoas. "Não é verdadeira a denúncia contra mim", concluiu o réu, preso há quase oito anos.
O caso
Fernando Aldo Gomes Brandão era vereador do município de Delmiro Gouveia (AL). Foi morto na madrugada de 1º de outubro de 2007, durante um evento no município de Mata Grande, atingido por pelo menos oito tiros.
De acordo com o Ministério Público (MP/AL), os disparos teriam sido efetuados por Carlos Marlon Gomes Ribeiro, que ainda não julgado. Foram apontados como partícipes Eronildo Alves Barros, já falecido, e o irmão, Eliton Alves Barros, agora absolvido.
Ainda de acordo com o MP, o homicídio teria ocorrido a mando do então deputado estadual Cícero Ferro e do prefeito de Delmiro Gouveia, Luiz Carlos Costa, o Lula Cabeleira. Em agosto de 2012, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) julgou improcedente a ação contra Lula Cabeleira, inocentando-o da acusação por falta de provas. O processo contra Cícero Ferro ainda está tramitando.
Testemunhas
O cunhado da vítima, José Pereira Neto, disse acreditar que Fernando Aldo morreu por "falar demais". "Fernando era explosivo, não tinha meias palavras. Falava sobre pessoas poderosas que já tinham um histórico de crimes", afirmou.
Para a irmã do vereador, Rita Maria Gomes, o assassinato teve motivação política. "Ele tinha divergências com algumas pessoas, inclusive com Cícero Ferro, que ele acreditava não merecer o voto da população de Delmiro".
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