Quedas podem gerar graves fraturas e até agravar o quadro de um doente
A prevenção é a melhor indicação contra o risco de quedas. Essa é a informação passada a todos os pacientes assistidos pela equipe do Hospital Geral do Estado (HGE) quando o assunto é evitar fraturas causadas por acidentes domésticos, principalmente em idosos, vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), com dificuldades visuais e com problemas atingíveis à locomoção.
O Protocolo de Prevenção de Quedas, do Ministério da Saúde, aponta que as quedas de pacientes contribuem com o aumento do tempo de permanência hospitalar e dos custos assistenciais, gera ansiedade na equipe de saúde e outras repercussões. Além disso, pode interferir na continuidade do cuidado.
A Ala G do HGE, exclusiva para pacientes em recuperação do sistema locomotor, é uma das áreas que contém mais enfermos com longo período de internação. De acordo com o mesmo protocolo, há relatos de maior ocorrência de tombos em pacientes acamados por muito tempo, de idade avançada, histórico recente de queda, com redução da mobilidade, incontinência urinária, uso de alguns tipos de medicamentos (como antidepressivos) e hipotensão postural (quando o doente move-se da posição deitada para a sentada ou em pé e sofre queda na pressão arterial ou algum dos sintomas de problemas neurológicos).
João José da Silva tem 68 anos de idade. Ele foi levado ao maior hospital público de Alagoas dias após cair da cama, quando dormia em sua casa. “Ele caiu, levantamos e não achamos que necessitasse levá-lo ao hospital. Mas durante os banhos, ele passou a reclamar de muito das dores. Levamos ao posto de saúde de Boca da Mata, cidade onde moramos, que solicitaram um raios-X e nos encaminharam para o HGE”, recordou a sobrinha do paciente, Maria Gilza da Silva.
Após ser submetido a exames de imagem e avaliação de vários profissionais da saúde, João foi diagnosticado com uma fratura transtrocanteriana no membro inferior esquerdo. Segundo o ortopedista Fernando Bastos, esse tipo de fratura é comum na população idosa, que geralmente, durante a queda, impacta a região do quadril.
Vale destacar, ainda, que João é vítima de Mal de Parkinson, uma doença que ocorre quando neurônios morrem ou perdem a sua capacidade. “Ele treme muito e, apesar de ter dificuldade de caminhar e se equilibrar, quer andar rápido. É preciso que alguém sempre esteja tomando conta dele, do despertar ao adormecer”, disse Maria Gilza.
Recomendações – O caso do mencionado idoso é um dos tantos onde há a necessidade de um acompanhante no lar, assim como existiu durante o período de internação. “A casa de um paciente nessas condições não deve conter batentes, tapetes, chinelos e pisos, que atrapalhem o caminhar e nunca ser mal iluminada. Na hora de dormir, recomendamos pelo menos um rastro de luz para que, ao acordar durante a noite, exista certa noção sobre o percurso até a porta de saída do quarto. E se houver possibilidade do uso de um penico, o sugerimos como alternativa prática para evitar os riscos de ir à noite, sem ajuda, até o vaso sanitário”, informou o ortopedista.
A mesma atenção sugerida pelo médico ao ambiente do lar é aplicada no ambiente hospitalar do HGE. O engenheiro Wilton Emídio de Barros destaca a recomendação feita pelo mesmo protocolo para a prevenção de quedas, independente do risco e quadro clínico do paciente.
“O HGE possui pisos antiderrapantes, corredores livres de obstáculos. Tanto os profissionais como os pacientes utilizam vestuários e calçados recomendados, bem como o mobiliário e a iluminação não oferecem esse risco. As equipes de assistência e limpeza observam a existência de algum tipo de objeto largado ao chão que possa gerar acidentes e o recolhe. No caso de qualquer problema estrutural, o setor de engenharia do hospital é acionado para solucionar o problema”, pontuou o engenheiro da unidade hospitalar.
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