Casamento LGBT deixa Temer em saia justa na ONU
As políticas brasileiras para direitos humanos serão escrutinadas nesta quinta-feira (21), pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Em maio, os 47 países com direito a voto no conselho apresentaram 246 medidas ao país, o que acabou deixando o governo de Michel Temer numa saia justa.
A previsão é que 242 propostas sejam acatadas, mas uma proposta do Vaticano, para que o país acatasse a proteção da “família natural”, formada por homem e mulher, virou motivo de muito debate. Para não contrariar os deputados da bancada religiosa – importantes para votar temas de interesse do governo –, o presidente Michel Temer decidiu rever o tom do posicionamento brasileiro.
Conforme revelou o repórter Jamil Chade, do jornal O Estado de S. Paulo, o Brasil deve informar à ONU que o governo concorda com a recomendação do Vaticano, mas justifica que ela não poderá ser aceita porque a legislação e a justiça brasileiras já reconhecem outros tipos de família.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal no Brasil desde 2013, quando o Supremo Tribunal Federal obrigou os cartórios do país a aceitar não apenas a união estável desses casais, que já era válida desde 2011, mas também o casamento.
Em maio deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um projeto de lei que visa a alteração do Código Civil, para reconhecer como entidade familiar não aquela formada por homem e mulher, como afirma hoje, mas simplesmente entre aquela firmada entre duas pessoas. O projeto ainda precisa ser votado no Congresso.
A proposta do Vaticano também incluía uma rejeição a qualquer forma de aborto, o que também contraria as leis brasileiras, já que, no país, o procedimento é permitido em alguns casos — como estupro e anencefalia.
Outras questões também devem ser sensíveis na discussão de hoje, especialmente em relação aos direitos de indígenas. Na quarta-feira, o governo foi acusado no Conselho de cometer “atrocidades” contra comunidades, e a ONU foi cobrada a exigir demarcação de terras.
Em relação ao casamento, o Brasil deve se colocar hoje no lado mais avançado da história – mas só no papel, já que o discurso deve retroceder algumas casas.
Veja também
Últimas notícias
Jovens em cumprimento de medidas socioeducativas são capacitados para o primeiro emprego
Condenação passa de 23 anos em ação do MPAL contra esquema em Arapiraca
Alcolumbre mantém votação de quebra de sigilo de Lulinha por CPMI do INSS
Vereadores exigem punição rigorosa à Braskem e cobram indenizações justas para famílias afetadas pela mineração
Caminhão tomba em São José da Laje e motorista é socorrido com dores no braço e na costela
JHC inaugura primeiro Gigantinho bilíngue da história de Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
