Rouge descarta brigas e fala de maturidade: ‘A força do feminino está maior’
Pela primeira vez, as cinco integrantes do Rouge comentaram sobre o retorno do grupo aos palcos. Donas dos hits “Ragatanga” e “Um anjo veio me falar”, Aline, Luciana, Li Martins, Fantine e Karin Hills farão um show especial para a festa gay Chá da Alice, na casa de espetáculos Vivo Rio, no dia 13 de outubro. Em entrevista a Tiago Abravanel no programa “Papo de almoço” da Rádio Globo, o quinteto celebrou o reencontro musical.
— A volta está completamente mágica e feliz — pontuou Fantine, já havia se afastado da banda após desentendimentos com a colega Luciana: — Agora me sinto muito amparada, protegida, forte e madura. Não me sentia assim alguns anos atrás. Fiquei muito tempo sem contato com as meninas. Não imaginava que teria a oportunidade de reviver isso. Mas pedi a Deus que todos os nós da minha vida fossem desfeitos! Acredito que existia algo que eu pudesse reescrever de forma mais amorosa.

O discurso é repetido pelas demais. Quinze anos depois da criação da banda — o grupo foi formado em 2002 no reality “Popstars”, do SBT —, todas se consideram mais maduras. Nos bastidores, não há mais espaço para picuinhas ou brigas banais, como antes.
— A força do feminino está em todas nós. E isso está muito maior agora. É o que sinto, sabe? — define Aline, acrescentando: — Sempre passamos a mensagem do quão importante é irmos atrás dos nossos sonhos. Voltamos, nesse momento, maduras, diferentes, transformadas. Por mais que sejamos muito diferentes, sempre entendemos que tinhamos potência juntas, e não separadas. E isso diz respeito a todas as mulheres.

Li Martins reforçou as mudanças no comportamento de cada uma. E brincou:
— Éramos muito meninas quando estouramos. Para terem uma ideia, eu ainda era virgem! — revelou.
Karin Hills complementou:
— Ninguém tinha ideia do sucesso que aconteceria. Lembro de a gente se questionar se alguém ouviria nossa música no rádio... A gente demorou a entender tudo.

“Nós sempre sonhamos com esse reencontro”
Em 2012, parte do grupo já havia ensaiado um retorno aos palcos. Na época, o projeto, no entanto, não andou. Apenas agora, a ideia vingo. E de vez. Desde que anunciaram os shows no Rio e em São Paulo — na capital paulista, elas se apresentam em 25 de novembro —, as cantoras ferveram as redes sociais. Tanto que há outras negociações em curso para futuros espetáculos.
— Nós sempre sonhamos com esse reencontro. Vimos o poder de nostalgia que o Rouge ganhou. Os fãs cresceram, e o carinho se transformou em algo mais poderoso e mais forte, o que é inspirador. Nossa união é extremamente mágica, muito maior do que nossa individualidade. O coração agora fala alto — comparou Lu.

Com carreira na Holanda, onde participou do “The voice” local, Fantine aproveitou a deixa para retomar as considerações sobre empoderamento feminino.
— Quando o Rouge estourou, a maior transformação aconteceu por causa da aceitação de quem nós somos. Eu, bastante masculinizada. A outra, negra, mestiça, loura, moca... São mulheres diversas e unidas, o que gera tensão. Só o fato de estarmos de pé ali, sendo quem nós somos, passou uma imagem de aceitação. Era como se meninas negras e gordinhas dissessem: “Sim, preciso ser negra para ser Rouge” ou “Sim, preciso ser gordinha para ser Rouge”. Tenho muito orgulho de olhar para trás e estar no palco podendo honrar essa história — justificou: — Existe muita competivididade entre as mulheres. Hoje, nós podemos perceber que o Rouge é um grupo, e que nós, mulheres, podemos atuas em cooperação. É uma terapia. A mensagem que nós temos para passar é muito profunda.
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