Após decisão judicial, PMs começam a voltar às ruas na Grande Natal
Desembargador determinou prisão de policiais que promovam e defendam paralisação. Por causa de atrasos salariais, militares ficaram aquartelados duas semanas
Após decisão da Justiça do Rio Grande do Norte que determinou a prisão de policiais que promovam e defendam a paralisação iniciada no dia 19 de dezembro, policiais militares começaram a deixar os batalhões da região metropolitana de Natal para fazer patrulhamento, durante a manhã desta terça-feira (2). Algumas equipes permaneceram nas unidades.
A Justiça também determinou multa diária de R$ 100 mil para as associações que representam os militares. Apesar de as associação de militares negarem que haja uma greve, reforçaram que a operação 'Segurança com Segurança' - segundo a qual os militares só devem atuar com carros e equipamentos em condições de uso - continua.
Policiais civis, que atuam em regime de plantão desde o dia 20 de dezembro, tiveram reunião com a delegada-geral de polícia na manhã desta terça-feira (2) e agendaram uma assembleia para o período da tarde.
No início da manhã, dois dos cinco carros do 9º BPM deixaram a unidade. Segundo os policiais, as outras viaturas não estavam em condições de uso. Nas horas seguintes, três carros saíram do 1º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento na Zona Leste da capital, e cinco viaturas do 5º Batalhão tomaram as ruas na Zona Sul da capital. As confirmações são dos comandantes e oficiais das unidades.
Até a metade da manhã, o 4º Batalhão na Zona Norte da capital não tinha carro circulando nas ruas. De acordo com os policiais, os veículos estavam sendo adequados para uso.
Na região metropolitana de Natal, também foi confirmada a saída de uma viatura do 11º Batalhão da PM em Macaíba. No 3º Batalhão de Parnamirim, duas viaturas foram levadas pelas equipes a uma oficina. De acordo com os policiais, o patrulhamento iria começar logo que os carros estivessem prontos.
Segundo os policiais, muitas viaturas não foram usadas por falta de condições de uso. Por causa disso, os comandantes aumentaram os números de policiais nos carros. Enquanto normalmente o patrulhamento é feito por três policiais, as equipes estão com quatro militares.
Paralisação
Nesta segunda-feira (1º), a Secretaria de Segurança do RN e o Comando-Geral da Polícia Militar afirmaram que iriam punir os policiais desobedientes e prender os que incitavam a paralisação iniciada há duas semanas, atendendo a uma determinação da Justiça Estadual, tomada no último domingo (31). Por outro lado, os policiais alegavam que não estavam em greve, mas que não poderiam sair das unidades sem viaturas e equipamentos de proteção com condição de uso.
O desembargador Cláudio Santos determinou a prisão dos policiais e bombeiros que incitassem a paralisação a pedido do Governo do RN, entendendo que os militares já tinham descumprindo uma decisão do dia 24 de dezembro, que determinava o retorno de policiais militares, civis (que trabalham em regime de plantão desde o dia 20) e bombeiros às atividades.
Os policiais estavam paralisados por causa de atraso salarial e anunciaram a operação "Segurança com Segurança". Sem policiamento nas ruas, a violência aumentou na Grande Natal e nas cidades do interior do estado. No último final de semana, o governo federal enviou 2,8 mil homens e mulheres ao estado para reforçar a segurança nas ruas da região metropolitana da capital e de Mossoró.
Salários
Até o dia 29 de dezembro, o governo do estado pagou os salários de novembro dos servidores que ganham até R$ 4 mil. A gestão não conseguiu cumprir um calendário que tinha sido anunciado, após o anúncio de uma ajuda financeira de R$ 600 milhões anunciado pelo governo federal. O repasse foi suspenso após recomendação do Ministério Público de Contas da União.
No último sábado (30), a Justiça Estadual autorizou o governo do estado a usar R$ 225,7 milhões recebidos do governo federal para a Saúde no pagamento de salários dos servidores, de forma emergencial. No plantão judicial desta segunda (1º), porém, a Justiça Federal suspendeu o uso da verba.
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