'O que temem que eu fale?', diz Lula sobre proibição de entrevista
Ex-presidente escreveu para a Folha de S. Paulo, publicado nesta quinta-feira (19), em que reafirma candidatura, ataca governo Temer e critica a Justiça
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu artigo para a Folha de S. Paulo, com o título "Afaste de mim esse cale-se", divulgado nesta quinta-feira (19), em que fala sobre os 100 dias desde a sua prisão.
"Estou preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias, e uma política absurda de preço dos combustíveis causou uma greve de caminhoneiros que desabasteceu as cidades brasileiras", escreveu o petista.
Ele ocupa uma das celas da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 7 de abril, após ter sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a 12 anos e um mês de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex no Guarujá (SP).
No texto, o ex-presidente também atacou o governo de Michel Temer. "Um governo ilegítimo corre nos seus últimos meses para liquidar o máximo possível do patrimônio e soberania nacional que conseguir — reservas do pré-sal, gasodutos, distribuidoras de energia, petroquímica —, além de abrir a Amazônia para tropas estrangeiras. Enquanto a fome volta, a vacinação de crianças cai, parte do Judiciário luta para manter seu auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento salarial", criticou.
Ele ainda falou sobre a proibição da juíza Carolina Lebbos, que o proibiu de conceder entrevistas. "Não posso dar entrevistas ou gravar vídeos como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores, o maior deste país, que me indicou para ser seu candidato à Presidência. Parece que não bastou me prender. Querem me calar. Aqueles que não querem que eu fale, o que vocês temem que eu diga?", questionou.
Lula voltou a afirmar que é pré-candidato à Presidência da República. "Eu sou candidato porque não cometi nenhum crime. Desafio os que me acusam a mostrar provas do que foi que eu fiz para estar nesta cela. Por que falam em 'atos de ofício indeterminados' no lugar de apontar o que eu fiz de errado? Por que falam em apartamento 'atribuído' em vez de apresentar provas de propriedade do apartamento de Guarujá, que era de uma empresa, dado como garantia bancária?", destacou o petista.
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