'Movimento pró-aborto é mundial e não haverá retrocesso'', diz ativista argentina
"O aborto saiu do armário", diz, sorrindo e com seu lenço verde - símbolo da campanha pela legalização do recurso - a atriz e comediante argentina María Virginia Godoy, 37, mais conhecida como Senhorita Bimbo.
Ela é uma das líderes do movimento feminista jovem que vem tomando as ruas de Buenos Aires para pressionar o Senado a aprovar o projeto de lei que já passou pela Câmara dos Deputados e que permite a interrupção da gravidez na Argentina até a 14ª semana de gestação.
Consciente de que, apesar do placar apertado, a vantagem é dos que se opõem à lei - 32 a 28, com 11 indecisos, segundo levantamento da imprensa local -, Bimbo diz que a luta já está ganha, mesmo se o Senado barrar a legislação.
"Porque o que conquistamos foi muito e não há volta atrás, derrubamos estigmas, colocamos lado a lado gente que pensa diferente em outras áreas, mas que concorda nesse ponto, mulheres de distintas gerações", diz à reportagem, no estúdio onde grava seu programa de rádio.
Nesta semana, estão sendo organizados "pañuelazos" (ato com panos verdes) em Nova York, Barcelona e no interior da Argentina.
No lenço verde que leva no pescoço, está escrito à mão a palavra misoprostol, nome do remédio abortivo usado em alguns países onde o recurso é legal, como no Uruguai.
"Se a lei não passar, vamos continuar com nosso trabalho de informar quem quer abortar clandestinamente para que o faça com segurança, vamos informar sobre o misoprostol e continuar apoiando as socorristas que ajudam essas mulheres."
Lei pela legalização do aborto na Argentina
Qual é a proposta?
Legalizar a interrupção da gravidez em qualquer circunstância até a 14ª semana de gestação, com atendimento na rede pública; hoje só é permitido em caso de risco de morte da mãe e estupro.
Como foi a votação na Câmara?
Após uma sessão que atravessou a madrugada acompanhada de protestos, a legalização foi aprovada pelos deputados por 129 votos a favor, 125 contrários e uma abstenção
Como está a situação do placar no Senado?
No momento, a imprensa argentina estima vitória dos que se opõem à interrupção da gravidez; são 32 legisladores contra o aborto, 28 a favor e 11 indecisos
Como se posiciona o presidente Mauricio Macri?
Embora ele seja contrário ao aborto, considerou o debate um avanço da sociedade argentina e disse que não vetará a lei caso ela passe em votação no Congresso.
Que outras questões estão em jogo depois da votação?
O Congresso também terá que discutir temas como a objeção de consciência de médicos e clínicas, principalmente aqueles com orientação religiosa.
Há estrutura na rede de saúde argentina para o aborto?
Parte dos deputados e governadores de províncias do interior do país critica a medida por não haver condições de atender as candidatas ao aborto.
Veja também
Últimas notícias
Jovens em cumprimento de medidas socioeducativas são capacitados para o primeiro emprego
Condenação passa de 23 anos em ação do MPAL contra esquema em Arapiraca
Alcolumbre mantém votação de quebra de sigilo de Lulinha por CPMI do INSS
Vereadores exigem punição rigorosa à Braskem e cobram indenizações justas para famílias afetadas pela mineração
Caminhão tomba em São José da Laje e motorista é socorrido com dores no braço e na costela
JHC inaugura primeiro Gigantinho bilíngue da história de Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
