Homens invadem terreiro, roubam celulares e agridem babalorixá
Adeptos do candomblé estavam reunidos numa cerimônia de saudação a Oxalá, quando foram surpreendidos pela chegada dos homens armados
Um grupo de seis homens armados invadiu um terreiro de candomblé em meio a uma cerimônia religiosa, roubou os pertences das pessoas que estavam no local e agrediu o babalorixá Rychelmy Esutobi.
O caso aconteceu na noite deste sábado (12) no terreiro Iê Axé Ojisé Olodumare, na vila de Barra do Pojuca, em Camaçari (40 km de Salvador).
Os adeptos do candomblé estavam reunidos numa cerimônia de saudação a Oxalá, quando foram surpreendidos pela chegada dos homens armados.
Segundo os integrantes do terreiro, os assaltantes fizeram com que todos deitassem no chão. Pessoas que estavam incorporadas pelos orixás foram sacudidas e revistadas.
Além do babalorixá, um outro homem foi agredido com coronhadas na cabeça. Ambos foram atendidos em hospitais da região e passam bem.
Os bandidos roubaram telefones celulares e um carro, além de instrumentos de culto considerados sagrados no candomblé. Também agrediram verbalmente os adeptos, associando a religião a demônios.
"É um momento de muita dor e reflexão. A gente ver o nosso sagrado ser profanado e ser agredido nos dói muito, mas também nos fortalece", afirmou o babalorixá Rychelmy em um vídeo postado em uma rede social.
Em nota, o terreiro lamentou o episódio de violência e intolerância religiosa e afirmou que irá tomar as medidas cabíveis para que episódios como este não voltem a ocorrer.
"Hoje somos alvo da violência que assola toda a nossa sociedade, acrescida da violência religiosa. Apesar de todo ocorrido estamos bem e continuaremos contritos em nossa fé conforme nossos antepassados nos ensinaram", afirma a nota.
A Polícia Civil irá investigar o caso, que também será denunciado ao Ministério Público e ao Centro de Referência de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa.
Segundo dados da secretaria estadual de Promoção da Igualdade Racial, foram registrados nos últimos seis anos 153 casos de intolerância religiosa na Bahia, incluindo 16 ataques a terreiros de candomblé.
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