Assembleia aprova desconto de 95% no pagamento a credores da Usina Seresta
Ex-funcionários irão receber apenas 5% da indenização em lotes de terra
A assembleia de recuperação judicial da Usina Seresta aprovou, na manhã desta segunda-feira (1º), desconto de 95% no pagamento aos credores. Com isso, funcionários que tem, horas extras e outros adicionais a receber, ex-funcionários que aguardam pagamentos de verbas rescisórias e fornecedores irão receber apenas 5% do que a usina está devendo.
A reunião, que aconteceu no hotel Ritz Lagoa da Anta, em Maceió, abonou o pior cenário possível para os credores da Usina Seresta, em especial para os funcionários e ex-funcionários. Além do máximo deságio, a forma de pagamento também pode ser considerada injusta: se os 5% a que os credores têm direito chegar até R$ 2 mil, eles irão receber em dinheiro, mas se esse valor for superado, a Seresta pretende pegar com lote de terra em um conjunto habitacional construído pela usina em Teotonio Vilela.
"Se algum ex-funcionário, por exemplo, tiver R$ 100 mil em créditos a receber da usina, por exemplo, vai receber apenas R$ 5 mil. E esse valor sequer será pago em dinheiro. O calote da usina Seresta foi institucionalizado", denuncia o advogado André Oliveira, que já trabalhou no corpo jurídico da Seresta e que atualmente também representa outros ex-funcionários.
O advogado afirma que tem crédito acima de R$ 150 mil para receber e, com a aprovação da assembleia na manhã de segunda-feira, deve receber como pagamento um lote de terra. "A usina ainda supervalorizou os lotes, colocando um preço muito acima do mercado local e que fica em uma área que não tem valorização alguma", declarou.
Segundo ele, o acordo injusto de pagamento aos credores foi aprovado pela assembleia porque obteve 97% de aprovação entre funcionários e ex-funcionários da Seresta. "Uma aberração dessa só é aprovada porque esses funcionários foram coagidos moralmente, ficaram com medo de serem demitidos, o mesmo aconteceu com ex-funcionários que ainda tem parentes trabalhando lá. Para eles é melhor manter os salários e abrir mão dos direitos", afirmou.
A reunião, de acordo com o advogado, aconteceu sem a presença de representantes do Ministério Público Estadual e Ministério Público do Trabalho, este último, que vinha acompanhando o processo de recuperação judicial das usinas Seresta e Sinimbu. Em agosto do ano passado, o procurador do Trabalho Rodrigo Alencar instaurou um inquérito civil em desfavor da Seresta e dos atuais sócios para investigar o pagamento dos débitos trabalhistas da empresa, que em 2018 teria descumprido o plano de recuperação judicial ao atrasar pagamentos de salários e não fazer o recolhimento do FGTS dos funcionários.
André Oliveira afirmou que a decisão da assembleia de hoje "é soberana", mas que ainda restam alguns recursos para tentar reverter a decisão.
A reportagem tentou entrar em contato com a Usina Seresta por telefone, mas sem sucesso.
Veja também
Últimas notícias
Homem de 49 anos sofre tentativa de homicídio ao ser esfaqueado em Maragogi
Assaltantes são detidos por moradores após roubo de motocicleta em Craíbas
Mulher morre baleada durante abordagem policial em grota de Maceió
Mais de 5 mil pessoas fazem festa para receber Renan Filho em Olho d’Água das Flores
Homem é baleado durante tentativa de homicídio em Colônia Leopoldina
Suspeito de homicídio é preso com arma usada no crime em Colônia Leopoldina
Vídeos e noticias mais lidas
Cliente denuncia demora na entrega de carro após pagar quase R$ 110 mil
Jovem de 24 anos é baleado na mão e suspeitos fogem em São Sebastião
Ajustes no texto adiam votação da MP que acaba com a chamada taxa das blusinhas
ASA vence Goiatuba nos pênaltis e garante acesso á Série C
