Após pacto com UE, Bolsonaro pretende fechar mais acordos para o Mercosul
Bolsonaro opinou que o bloco se livrou da "tendência ideológica", uma circunstância que, segundo o presidente, deixava o Mercosul preso no passado
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, neste domingo (14), às vésperas da cúpula semestral do Mercosul, que o bloco regional deve “traçar novas estratégias” para conseguir mais acordos de livre-comércio similares ao que fechou com a União Europeia (UE) no último mês de junho.
Bolsonaro disse que, após as conversas com Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, a reunião que começará nesta segunda-feira na cidade argentina de Santa Fé deve servir como “celebração” do pacto com a UE, mas também para olhar para o futuro.
“Será um encontro fantástico, com toda certeza, nossos assessores (…) nos orientarão sobre como poderemos fazer acordos semelhantes ao da União Europeia”, declarou o presidente em entrevista concedida ao jornal argentino “Clarín”.
Nesse sentido, considerou que o rumo está direcionado para o “livre-comércio”, para alcançar alianças “com a maior quantidade de blocos e países do mundo”.
A cúpula realizada na Argentina será a primeira depois que há apenas duas semanas, em 27 de junho, foi fechado em Bruxelas o histórico acordo de associação entre sul-americanos e europeus.
A um dia de se reunir com seus homólogos de Argentina, Paraguai e Uruguai, Bolsonaro opinou que o bloco se livrou da “tendência ideológica”, uma circunstância que, segundo o presidente, deixava o Mercosul preso no passado.
Além disso, destacou que atualmente existe um “sentimento de fraternidade” entre os quatro países que o formam – com a Venezuela suspensa desde 2016 – e que o futuro passa por buscar um “Mercosul 2.0”.
Na entrevista, Bolsonaro mencionou ainda que a criação de uma moeda comum para o bloco, opção que pôs sobre a mesa em uma recente visita oficial a Buenos Aires, será um dos temas tratados em Santa Fé.
“Podemos dar mais um passo neste sentido”, indicou.
Bolsonaro também se manifestou sobre as mudanças que a política comunitária pode experimentar se a oposição argentina vencer as eleições presidenciais do próximo dia 27 de outubro.
Nesse cenário, disse que Brasil e Argentina podem “ter um atrito” no caso da vitória da chapa formada por Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, a quem definiu como “amigos de Dilma, de Lula, de Chávez, de Maduro, de Fidel Castro”.
Além disso, criticou que Alberto Fernández queira “revisar” o acordo entre Mercosul e UE se chegar ao poder.
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