Bolsonaro flexibiliza lei sobre rodeios e desfila em cavalo em Barretos
Decreto define que compete ao Ministério da Agricultura avaliar protocolos de bem-estar animal
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou na noite deste sábado (17) decreto que flexibiliza a legislação sobre rodeios no Brasil. O anúncio foi feito no estádio de rodeios do Parque do Peão de Barretos, durante a terceira noite da 64ª Festa do Peão de Boiadeiro, a mais tradicional do país.
Com o decreto, fica definido que compete ao Ministério da Agricultura avaliar os protocolos de bem-estar animal elaborados por entidades promotoras desse tipo de evento e, com a mudança, também será possível a realização de provas não disputadas em alguns lugares.
“Ele [Bolsonaro] está mostrando que é possível fazer rodeio com 100% de boas práticas. Vai acabar com essa história de juízes bloquearem rodeios aos 47 [do segundo tempo]”, disse Ricardo Rocha, presidente de Os Independentes, associação responsável pela organização da festa no interior paulista.
Em Barretos, por exemplo, uma lei municipal impedia a prova do laço e desde meados da década passada a Festa do Peão deixou de realizá-la. A organização suspendeu ainda a prova do bulldog após a morte de um bezerro, em 2011. Na prova, o bezerro é imobilizado pelo competidor.
Com o decreto, todos os rodeios no país poderão realizar essas provas, desde que seguidas normas definidas pelo ministério. Isso não quer dizer, porém, que Barretos voltará a adotá-las.
Em seu discurso, Bolsonaro disse que respeita todas as instituições, mas deve lealdade ao público. “Esse momento em que tantos criticam as festas de peões ou as vaquejadas quero dizer que, com muito orgulho, estou com vocês. Para nós, não existe o politicamente correto, faremos o que tem de ser feito”, disse o presidente, sendo aplaudido pelo público da arena com as arquibancadas parcialmente vazias.
O presidente disse ainda que o meio ambiente “pode e vai casar com o desenvolvimento”. “Enquanto eu for presidente, o desenvolvimento estará acima de tudo. E dizer que, como tenho fé, tenho amor a vocês, eu farei aquilo que tem de ser feito.”
Após seu discurso, Bolsonaro deu duas voltas na arena montado num cavalo, ao lado do presidente da festa, Ricardo Rocha, e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). A associação Os Independentes, que organiza a festa, separou 12 cavalos para que o presidente escolhesse um deles para ser usado.
Além de beneficiar os rodeios com o decreto, o setor ainda viu o deputado federal Capitão Augusto (PSL) anunciar o relançamento da frente parlamentar dos rodeios, vaquejadas e provas equestres de todo o país. A estimativa é que mais de 400 dos 645 municípios paulistas realizem montarias em touros.
HINO DA DITADURA
A visita do presidente ao palco do principal rodeio do país foi marcada por uma série de homenagens, desde elogios do locutor Cuiabano Lima, ao centro da arena, à exibição de um vídeo especial sobre Bolsonaro nos telões do estádio antes da entrada dele ao palco.
Também houve a execução da música “Eu te amo, meu Brasil”, da dupla Dom & Ravel, de 1970, considerado um hino ufanista do regime militar.
Bolsonaro, que entrou no estádio com um adesivo com o número 17 no peito (o mesmo usado em sua eleição) estava acompanhado dos ministros Augusto Heleno (Segurança Institucional), Wagner Rosário (Controladoria Geral da União) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura).
Nas palavras de Cuiabano, foi o “maior momento do rodeio brasileiro em 64 anos de história”.
SAÚDE
A comitiva presidencial chegou a Barretos pouco após as 18h e teve como primeira parada o Hospital de Amor –antigo Hospital de Câncer–, repetindo o feito do ano passado, durante a campanha eleitoral.
No local, conheceu os serviços oferecidos e se deslocou para o parque, onde foi recebido no rancho Ponto de Pouso, que oferece a Queima do Alho – comida típica dos peões composta por arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e churrasco, feita em fogões improvisados, próximos ao chão.
Foi o terceiro ano seguido de participação de Bolsonaro na Festa do Peão. Durante a campanha eleitoral, em 2018, ele também entrou na arena montado em um cavalo.
No ano anterior, ainda como deputado federal pelo PSC, defendeu os rodeios como manifestação cultural, criticou a legislação ambiental do país e aproveitou para criticar o total de famílias que eram beneficiadas pelo programa Bolsa Família.
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