Com radares desligados, rodovias federais têm aumento de acidentes graves pelo país
Entre janeiro e julho de 2019, o número de feridos graves também subiu em relação ao ano passado, de 10.141 para 10.436 registros.
Em meio ao desligamento de radares de fiscalização de velocidade sob a justificativa de que haveria no país uma “indústria da multa” no país, os acidentes graves — que registram mortos ou feridos — subiram nos sete primeiros meses do ano pela primeira vez desde 2011, quando o Brasil se comprometeu a adotar metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para tornar o trânsito seguro.
A informação foi divulgada em reportagem do jornal O Globo, que lembrou que o desligamento dos equipamentos nas rodovias federais administradas diretamente pelo governo havia sido uma promessa do presidente Jair Bolsonaro (PSL).
Para especialistas ouvidos pelo jornal, o aumento dos casos graves é motivo de alerta, uma vez que, na maior parte das vezes, estão relacionados ao excesso de velocidade.
O jornal obteve por meio da Lei de Acesso à Informação informações de que quase todos os equipamentos fixos em operação em janeiro nas vias foram desativados desde março.
Além de suspender, em agosto, o uso de 299 radares portáteis pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o governo também não renovou nem substituiu contratos que garantiam o funcionamento de 2.811 equipamentos fixos nas vias.
As rodoviais federais (BRs) sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que representam mais de 90% da malha rodoviária federal, contavam, no último dia 2, com apenas 439 equipamentos permanentes de fiscalização.
Conforme estudo do SOS Estradas, com base em dados da PRF, ainda que o total de acidentes em geral tenha caído 8% na comparação com o mesmo período do ano passado, os acidentes graves subiram 2% em 2019, de 10.038 para 10.212 ocorrências, o que interrompe a tendência de quedas consecutivas desde 2011.
Entre janeiro e julho de 2019, o número de feridos graves também subiu em relação ao ano passado, de 10.141 para 10.436 registros.
Ao Globo, Rodolfo Rizzotto, do SOS Estradas, alertou que, enquanto em 2018 houve queda de 17% no total de mortes nas rodovias, a redução este ano foi de apenas 1%, de 3.038 para 3.000 casos. A maior parte dos radares fixos desligados ainda estava em operação entre janeiro e março, o que evitou impacto ainda maior, ele assinalou.
“O desligamento dos radares coloca em risco quem vive à margem das rodovias. Na prática, estamos sem controle de velocidade nas rodovias federais porque sequer os policiais podem atuar. Os radares que estão operando funcionam por decisão judicial ou contratual”, afirmou Rizzotto. Ele ponderou ainda que os dados não contabilizam o período após a proibição de que a PRF use radares portáteis.
O jornal procurou o Ministério de Infraestrutura para comentar os dados, mas a pasta não se pronunciou.
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