Com medo de violência, Uber quer suspender pagamentos em dinheiro
Esta modalidade seria um dos motivos para aumento de crimes contra condutores no DF
A Uber anunciou nessa terça-feira (19/11/2019) que irá ampliar para Brasília os testes com a ferramenta que permite aos motoristas do aplicativo não aceitarem viagens com pagamento em dinheiro. Ao ativar a opção, somente corridas pagas com cartões de débito ou crédito irão aparecer para o profissional dessa modalidade.
A empresa justifica o uso desse mecanismo como uma demanda dos condutores do aplicativo. A liberação para pagamento em dinheiro é vista como um dos motivos para o crescimento de casos de violência contra os trabalhadores da categoria.
Um levantamento feito pela Polícia Civil do DF (PCDF) aponta que o número de vítimas de roubo com restrição de liberdade ou sequestro relâmpago, como o crime é popularmente conhecido, saltou de 22 em 2017 para 71 apenas nos seis primeiros meses deste ano.
Os episódios, no entanto, podem acontecer em maior número, considerando que a Polícia Civil não tem o recorte específico que aponte quantos motoristas de aplicativos de transporte foram vítimas de outros crimes.
A possibilidade de não aceitar as viagens pagas em dinheiro já é testada pela empresa em outras 10 cidades brasileiras, nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraíba. Com base na experiência, a Uber pode fazer novos aprimoramentos no recurso.
“Mais seguro”
O presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativo do Distrito Federal (Sindmaap-DF), Marcelo Rodrigues Chaves, afirma que a opção traz segurança ao motorista por causa das informações oferecidas pelo usuário do serviço no momento do cadastro do cartão de crédito ou débito. A categoria aprova o teste feito pela empresa. “Somos a favor de qualquer ferramenta que nos traga mais segurança”, diz Chaves.
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