Abertura do Circuito Penedo de Cinema defende a cultura como ato de resistência
Solenidade lotou a Sala de Exibições montada na Praça 12 de Abril

Resistência. Esta foi a palavra de ordem pronunciada durante várias vezes na noite dessa segunda-feira (25) na abertura do Circuito Penedo de Cinema. Autoridades e parceiros do maior evento cinematográfico do estado de Alagoas marcaram presença na Sala de Exibições montada na Praça 12 de Abril, no Centro Histórico de Penedo, e em seus discursos, reiteraram a importância do cinema, da cultura e da realização do evento em meio ao contingenciamento de recursos durante este ano.
O coordenador geral do Circuito, Sérgio Onofre, agradeceu aos parceiros pelo apoio ao evento e se mostrou contente destacar a presença de penedenses de várias idades enchendo a Sala de Exibições. “A gente tem aqui um público lindo, de pais, crianças. É um prazer ter vocês aqui. Inclusive, vamos ter cinema infantil a partir de amanhã [terça-feira, 26], então, peguem no pé do pai e da mãe de vocês para comparecerem ao Circuito”, disse ele.
Onofre recordou o quão difícil foi fazer o evento sair do papel este ano em meio ao contingenciamento dos recursos e se emocionou em sua fala ao agradecer o apoio dos parceiros. “O Comitê [de Bacia Hidrográfica do São Francisco], a Prefeitura de Penedo, o Sebrae, enfim, sem todos os parceiros seria muito difícil chegar até aqui. Foi um ano difícil para as universidades, para o setor cultural com corte de recursos, mas é preciso reafirmar que cultura se faz com resistência! Estar aqui é, antes de tudo, um ato de resistência”, declarou, emocionado e recebendo aplausos.
O prefeito de Penedo, Marcius Beltrão, reiterou a fala de Sérgio Onofre ao dizer que hoje, fazer cultura e educação tornou-se uma atividade de muita resistência. “Não está fácil. Quando você contingencia recursos da educação, vai gastar 10 vezes mais para combater a violência lá na frente. Eu fico contente de participar de mais essa abertura, pois Penedo respira a cultura, a arte, o folclore e poderia ser, talvez, um dos maiores palcos para apresentar tudo isso junto”, vibrou.
O presidente da Comissão de Educação, Cultura e Turismo da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Beltrão, disse não conseguir enxergar desenvolvimento de um estado sem que tenha educação de qualidade. “Que a gente possa convergir educação, cultura e turismo para dar qualidade de vida, gerar empregos, renda e resgatar a nossa história. Queria saudar ao Sérgio [Onofre] em seu discurso emocionado, e com razão, na resistência e perseverança de realizar o evento e viva a cultura do nosso estado”, disse, recebendo aplausos.
Representando a Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult-AL), Paulo Poeta trouxe os abraços calorosos de Melina Freitas e Renan Filho que, segundo ele, “tem se mostrado um defensor do cinema e da cultura alagoanos” e destacou que o Estado destinou R$ 8 milhões a um edital para produção de filmes que deve sair até o fim do ano. “Vamos sonhar porque sonhando a gente alcança o horizonte”, refletiu.“Estamos aqui fazendo o que melhor o cinema pode fazer” Já o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, revelou sua felicidade em participar do evento e fez uma homenagem especial ao coordenador do Circuito, Sérgio Onofre. “Quero abraçar aqui este gigante que está aqui e se chama Sergio Onofre que é um combatente pelo futuro, pois só os idealistas que acreditam no futuro são capazes de sonhar”, apontou.
Miranda disse ainda que o Circuito faz o melhor que o cinema pode fazer: “É trabalhar com o imaginário e com a esperança de uma sociedade mais justa, mais tolerante e uma sociedade que rejeite essa fragmentação que acontece hoje e aposte no diálogo, na liberdade, na democracia e sobretudo na cultura, pois sem cultura o povo não tem memória e, sem memória, o povo nunca terá identidade”, vibrou Anivaldo.
Ele aproveitou a oportunidade para destacar que também nesta segunda-feira (25), participou do final da segunda expedição científica que o CBHSF realiza em parceria com a Ufal e pesquisadores de várias universidades brasileiras. “É o segundo momento em que pesquisadores do baixo São Francisco fazem diagnostico exaustivo da qualidade da agua, da deterioração da qualidade de agua, enfim, de todos esses problemas, inclusive ligados à saúde pública. A Universidade entra com os pesquisadores e o Comitê entra com os recursos que podem fazer esses trabalhos extraordinários”, salientou.
Passado, presente e futuro
O vice-reitor da Universidade Federal de Alagoas, José Vieira, fez um discurso destacando algumas menções especiais. Ele cumprimentou Chico de Assis como “como grande interprete da cultura brasileira e como artista afro” e citou Anivaldo Miranda, “[...] não só por ele ser um dos gestores da bacia hidrográfica, mas por ser um branco histórico, preso, perseguido pela ditadura militar e que sabe na carne e na alma o que representa lutar pela liberdade e pela esperança.”
José Vieira também destacou que, durante a solenidade de abertura do Circuito Penedo de Cinema, o presente, o passado e o futuro se encontram ao apontar quem deu origem ao evento, aos idealizadores atuais e aos novos gestores da Universidade, que realiza o evento neste formato desde 2016.
“Há 4 anos atrás, quando assumimos [a gestão da Ufal], o Sérgio [Onofre] persistia para que esse evento continuasse. No primeiro ano, tínhamos poucas pessoas na abertura. Hoje, ver esse auditório repleto de pessoas e crianças renova a esperança que a Universidade, que o estado de Alagoas, a prefeitura de Penedo e as autoridades aqui presentes devem continuar renovando as forças. Então, vocês [professor Josealdo Tonholo e Eliane Cavalcanti], são o futuro da Universidade. Nesse momento em que um ciclo se encerra, vocês pegam o bastão, levem a frente e potencialize junto a essas crianças: a arte, a cultura, mas sobretudo, a liberdade de um pais que tem na ciência e na educação um projeto de soberania”, finalizou, entre aplausos.
Viva à cultura!
A diretora do Campus Arapiraca e vice-reitora eleita da Ufal, Eliane Cavalcanti, agradeceu aos presentes e convidou os penedenses para se sentirem em casa. “Resgato a resistência de Sérgio e digo que esse é um momento especial, não só para a Universidade, mas para a nação como um todo. A cultura e o meio ambiente estão relacionados e, para além disso, estão relacionados para a nossa comunidade. Sintam-se em casa, pois a nossa Universidade também é de vocês.”
Já o coordenador de Assuntos Culturais da Ufal, Ricardo Cabús, celebrou o fato de em meio ao que ele chamou de “fase complicada pela qual passa o país”, a Universidade abre suas portas para a sociedade participar. “Em um lugar onde não há cultura, o espetáculo é a violência. A cultura na Universidade está aqui com essa sociedade maravilhosa e teremos, então, uma semana repleta de cultura”, declarou.
Sobre o evento
O Circuito Penedo de Cinema é uma realização do Instituto de Estudos Culturais, Políticos e Sociais do Homem Contemporâneo (IECPS), da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com patrocínio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), da Prefeitura de Penedo e do Sebrae Alagoas.
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