Estudo da Ufal constata alto índice de contaminação por agrotóxicos no Agreste
Considerada um grave problema de saúde pública, foi constatada em municípios que estão na região do semiárido alagoano
Nos últimos 10 anos foram identificadas mais de mil intoxicações por agrotóxicos agrícolas em Alagoas e a maior parte delas concentrada no semiárido alagoano. Notadamente, nos municípios do Agreste que fazem parte da primeira região citada, como Arapiraca, Craíbas e Girau do Ponciano. A pesquisa foi coordenada pelo professor Lucas Gama Lima, do curso de Geografia do Campus do Sertão e responsável pelo Observatório de Estudos sobre a Luta por Terra e Território (Obelutte/Gepar/Ufal), que no contexto dos estudos realizados há a investigação das contradições do uso de agrotóxicos no Estado.
A pesquisa de campo foi realizada nos municípios do Alto Sertão de Alagoas, parte oeste do semiárido e segundo Lucas Lima, a escolha desse recorte espacial deve-se à recente presença do Canal do Sertão. Ele aproveita para destacar: “Trabalhamos com a hipótese de que a disponibilidade hídrica advinda do citado canal, bem como o lobby exercido pelas empresas e revendedoras de agrotóxicos têm fomentado o uso de veneno nas lavouras dos municípios da citada região. Em parte expressiva das propriedades visitadas foram encontrados agrotóxicos extremamente e medianamente tóxicos. Além de muito perigosos ao meio ambiente, como o Curyom, o Galigan, o Lannate e o Mospilan, esses agrotóxicos são fabricados por empresas estrangeiras”, afirmou.
Além da pesquisa de campo em municípios do Sertão de Alagoas, o estudo contemplou dados fornecidos pelo Sistema Nacional de Agravos de Notificação, vinculado ao Ministério da Saúde, Censo Agropecuário, realizado pelo Instituo Brasileiro e Geografia (IBGE). Constatou- se ainda, que o número de propriedades rurais que usam agrotóxicos também é maior nos municípios que integram o perímetro do Semiárido, especialmente, Arapiraca, Coité do Noia, Craíbas, Girau do Ponciano, Igaci e Lagoa da Canoa.
“Acreditamos que a porção do Agreste do Semiárido por possuir significativo registro de propriedades rurais que utilizam agrotóxicos e maior incidência de intoxicados por agrotóxicos de Alagoas merece a devida atenção, uma vez que os dados apontam para um grave problema de saúde pública. Consideramos que essa notoriedade da porção Agreste do Semiárido tem a ver com o número expressivo de propriedades rurais- trata-se de uma região de pequenas e médias e médias propriedades – diferente da Mesorregião Leste que é formada pelas grandes propriedades e com os produtos e as condições de produção”, destacou Lucas Lima.
Ao explicar a pesquisa, Lucas Lima diz de que como se trata de camponeses, a produção é realizada com menos mecanização e mais contato com os produtos químicos. Enquanto na Mesorregião Leste se utilizam tratores e aviões agrícolas para pulverização de agrotóxicos, no semiárido os agrotóxicos são pulverizados pelos próprios trabalhadores por meio de equipamentos costais e/ou sem epi´s. Ademais, segundo o pesquisador, na porção agreste do semiárido de Alagoas há produtos como fumo, o feijão e o abacaxi que figuram como produtos que recebem notável incidência de agrotóxicos.
O pesquisador acrescenta que também foram constatadas a ausência de equipamentos de proteção individual e o desconhecimento do descarte regular das embalagens. “Por fim, foi identificada uma crescente dependência dos agricultores aos agrotóxicos, o que revela a captura da renda da terra desses camponeses pelas empresas e revendedoras de agrotóxicos”, frisa.
Ele informa ainda que os dados e as informações mencionadas foram sistematizados em artigo publicado pela revista Diversitas Journal, vinculada à Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) em outubro deste ano. Os resultados da investigação integram parte da Pesquisa de Iniciação Científica (Pibic), realizada no âmbito do Campus do Sertão da Universidade Federal de Alagoas.
Outros danos
Segundo o professor Lucas Lima, chama a atenção as circunstâncias de intoxicação por agrotóxicos em Alagoas. E diz: “A circunstância mais expressiva é a tentativa de suicídio com 327 casos. Indicamos que na literatura científica já existem estudos que apontam a relação entre exposição regular a agrotóxicos e tentativa de suicídio", destacou.
A pesquisa no Campus do Sertão contou com a participação também de Anderson Ribeiro Miranda, Érica Franciele da Silva Lima, José Rodolfo da Silva Santos e Jefferson Araújo Nascimento.
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