Mandetta admite que deixará ministério da Saúde: "Já chega, né?"
"Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia", afirmou o ministro
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, desabafou em entrevista ao site da revista Veja sobre os desgastes vividos com o presidente Jair Bolsonaro durante o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus e admitiu que deixará a pasta.
Mandetta se disse cansado após dois meses de trabalho na tentativa de conter a covid-19. "60 dias tendo de medir palavras. Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia e fala tudo diferente. Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante", afirmou.
Questionado sobre a permanência no cargo, o ministro disse que fica "até encontrarem uma pessoa para assumir meu lugar". Mandetta ainda afirmou que não há chance de ficar no governo. "São 60 dias nessa batalha. Isso cansa", desabafou Mandetta, que negou que esteja indo trabalhar com o governador Ronaldo Caiado em Goiás.
Mandetta também disse que não se arrepende de ter entrado no governo Bolsonaro. O ministro evitou dar um palpite sobre a nova linha de trabalho de combate à pandemia após sua saída do cargo.
"Não sei, mas acho que o vírus se impõe. A população se impõe. O vírus não negocia com ninguém. Não negociou com o (Donald) Trump, não vai negociar com nenhum governo", disse. Mandetta acrescentou que tem compromisso com o país. "Ninguém vai torcer contra", concluiu.
Secretário também desabafou hoje
O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, justificou hoje, em coletiva de imprensa, por que decidiu pedir demissão da pasta. Segundo ele, esse processo vem já há algum tempo e que a mensagem era se preparar para sair junto com o ministro Luiz Henrique Mandetta.
"Estamos cansados. Eu não pedi demissão. A mensagem é: vamos nos preparar para sair junto com o ministro Mandetta. Esse processo vem sendo discutido há algumas semanas. Chega a um ponto em que estamos entendendo que um dos processos está adiantado. O ministro citou o laboratório, a informação. E essa etapa é mais da assistência do que da vigilância. Mas estamos juntos. Não teve um motivo específico. Nós estamos cansados", explicou o secretário.
Ministro citou risco de infarto ao falar sobre cloroquina
Também na entrevista coletiva concedida mais cedo no Planalto, Mandetta afirmou que ainda não recomenda o uso da cloroquina no tratamento da covid-19. O medicamento é amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. O ministro disse que, embora a aplicação da medicação não seja proibida, é necessário avisar o paciente de riscos de arritmia e infarto.
Mandetta afirmou que a pasta está custeando estudos a respeito do uso da cloroquina, mas que fora do ambiente hospitalar, o paciente corre riscos maiores de sofrer com efeitos colaterais que, dentro de uma unidade de saúde, poderiam ser controlados.
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