Coronavírus se “esconde” no corpo, explica professor da USP
Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina, comanda estudo pioneiro no país que faz autópsia dos corpos das vítimas do novo coronavírus
O professor do departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Saldiva, comanda um estudo pioneiro no país que faz a autópsia dos corpos das vítimas do novo coronavírus para saber como a doença age nos quadros graves.
Em entrevista ao jornal Estadão, Saldiva destacou a capacidade de dissimulação do Sars-CoV-2, como uma de suas principais características. “O tempo de latência, entre você estar contaminado e desenvolver doença clínica, é maior. No H1N1 em no máximo dois dias você estava com febre. Nesse vírus pode ficar até 10 ou 12 dias sem sintomas, enquanto ele vai minando o organismo. Isso significa que a pessoa com o vírus pode estar contaminando outras pessoas sem saber.”
A agressividade do vírus também chamou atenção do pesquisador: “A gente sabe que, além do pulmão, os vírus estão indo para o cérebro, os rins e os testículos, mas a gente ainda não conseguiu concluir o estudo. O que sabemos é que ele é muito rápido e extremamente agressivo, principalmente no sistema respiratório. A maioria estava com as vias sanguíneas que irrigam os pulmões obstruídas por tromboses.”
As informações recolhidas pelo grupo de Saldanha são importantes para entender como a doença evolui no corpo e estão sendo compartilhadas praticamente em tempo real com outros cientistas. O grupo pretende autopsiar pelo menos 50 corpos e até aqui a autópsia já foi feita em 16.
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