Blackout tuesday: artistas e fãs fazem 'apagão' nas redes em protesto contra o racismo
Entenda campanha que promove 'blecaute' no Instagram para apoiar movimento Black Lives Matter
A "Blackout tuesday", campanha de artistas em apoio aos protestos antirracistas, causa uma onda de quadrados com a cor preta nas redes sociais nesta terça-feira (2). Mas o "apagão" em favor do Black Lives Matter está atrapalhando ativistas do movimento.
Os organizadores dizem que os milhares de posts escuros, muitos deles com hashtags como #BlackLivesMatter e #BLM, estão tornando mais díficl achar nas redes informações úteis, links de doações, localizações e denúncias de violência policial nos protestos que acontecem em todo o país e que usavam as mesmas tags.
Na tarde desta terça, se espalham alertas nas redes para usar apenas a hashtag #blackouttuesday para postar os quadrados pretos.
A campanha foi bastante incentivada por famosos, em especial na indústria musical, desde a segunda-feira (1). Cantores como Elton John, Rihanna, Cardi B, Zayn, Demi Lovato, Björk e outros aderiram.
No Brasil, artistas como Anitta, Bruno Gagliasso, Ludmilla e Marília Mendonça também postaram quadrados pretos para apoiar a campanha.
Mas, agora, até os artistas estão percebendo efeitos colaterais.
"Isso não está nos ajudando, cara. Quem diabos pensou nisso? As pessoas precisam perceber o que está acontecendo", escreveu o cantor Lil Nas X, compartilhando uma mensagem do DJ Dillon Francis que notava o problema.
A indústria musical dos EUA planejou o dia de silêncio em solidariedade aos protestos pela morte de George Floyd.
Após a divulgação de um vídeo que mostra um homem negro sendo imobilizado por um policial branco com os joelhos em seu pescoço, em Minneapolis, nos Estados Unidos, uma onda de protestos começou no país em 25 de maio.
Várias gravadoras e artistas se comprometeram a se abster de qualquer atividade comercial na terça-feira, com o objetivo de "se desconectar do trabalho e se reconectar com a nossa comunidade".
Mick Jagger foi um dos músicos que aderiu à campanha. "É de partir o coração ver os EUA se despedaçarem de novo por questões raciais. Amanhã vou ficar com meus colegas artistas e entrar no "blackout de terça" para combater a discriminação racial e a injustiça social. Eu rezo para que depois desse dia nós possamos superar esse ódio e divisão e começar a curar a dor e o sofrimento que todo mundo está sentindo no país. Nós devemos isso às futuras gerações", escreveu Mick Jagger.
A hashtag "The Show Must Be Paused (O show deve ser pausado)" foi compartilhada nas redes sociais para mostrar adesão à campanha.
"Devido aos recentes acontecimentos, junte-se a nós enquanto damos um passo para uma atitude urgente para gerar a responsabilidade e a mudança. Como guardiões da cultura, é nossa responsabilidade não apenas nos unirmos para comemorarmos as vitórias, mas também nos abraçarmos durante as perdas", dizia uma postagem amplamente compartilhada.
O músico Tim Burgess, da banda The Charlatans, foi um dos que aderiu a campanha adiou a festa de audição musical que faria na terça-feira. "Temos que ouvir mais e tirar um tempo para pensar".
O grupo Now United também aderiu ao movimento e alterou o header de sua página no YouTube para a hashtag da campanha.
Gravadoras como a Shady Records, Columbia Records, Atlantic Records, Capitol Music Group, Elektra Music Group, entre outras, também demonstraram apoio a campanha.
Neste final de semana, Ariana Grande, Paris Jackson, Jamie Foxx, Anna Kendrick, Halsey, Lauren Jaregui, Kali Uchis, John Cusack, Swae Lee e outros artistas, postaram fotos enquanto participavam dos protestos antirracistas que aconteceram nos EUA após a morte de George Floyd.
Alguns artistas, como Beyoncé, Oprah Winfrey, Rihanna, Taylor Swift, Lady Gaga, também compartilharam nas redes sociais alguns textos em homenagem ao ex-segurança, além de condenarem o racismo nos EUA.
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