Distanciamento social faz família abandonar tradição de ceia natalina em 2020
Para evitar aglomeração, família optou por ‘cada um na sua casa’
A confraternização em família é uma das mais fortes tradições de Natal. É momento de celebração da vida, que ganha ainda mais significado com a pandemia. Em vez de reunião em torno da mesa onde uma refeição especial será partilhada, este vai ser o Natal da saudade, principalmente para aqueles que perderam entes queridos para a Covid-19. Mesmo nas famílias que não foram atingidas por essa tragédia, os abraços cheios de alegria e afeto não irão acontecer.
A família Bastos Bispo, de Arapiraca, é uma das que desistiu de fazer uma grande ceia natalina por conta da pandemia. Pela primeira vez em décadas, não vai acontecer a celebração que reunia mais de 70 pessoas na casa onde a primeira geração cresceu.
“Foi com o coração apertado que decidimos que cada família vai ficar em sua casa, mas com certeza à meia noite, nossos pensamentos estarão unidos, com a alegria de termos passado quase ilesos dessa pandemia até agora”, afirma a professora aposentada Marlisa Rosemari Bastos Bispo Ferreira, a caçula de dez irmãos, dois deles já falecidos.

Devido pandemia, família Bastos Bispo não irá se reunir para ceia natalina
A tradição da família de se reunir para ceia natalina teve início quando os pais deles, José Bispo e Jovenita Bastos ainda estavam neste plano. O lar onde eles viveram continua a ser o ponto de encontro entre os parentes e o local das festas, incluindo a ceia natalina.
O endereço na rua São Francisco - ou “casa da vó”, como eles costumam chamar - é preservado pela família, mesmo sem ter nenhum morador por lá. Essa foi a forma que encontraram de manter viva a memória dos entes que já se foram. Antes da pandemia, parte deles, principalmente as irmãs Maria, Liege, Lilian, Niedja e Marlisa, costumava se encontrar no local todas as tardes e, no domingo, a casa costumava ficar cheia dos filhos e netos deles. Esse foi mais um dos costumes que a Covid-19 interrompeu.
“Minhas irmãs e eu passamos quase sete meses sem nos ver, mantendo o distanciamento social como uma forma de cuidar uma das outras. Faz pouco tempo que decidimos voltar a nos encontrar na casa da nossa mãe em algumas tardes, com todas as medidas de segurança”, relata Marlisa, conhecida também como Mare.
Todos os anos, ela e as irmãs organizam a ceia natalina que reune também os outros irmãos, filhos, cônjuges, sobrinhos, netos e até bisneto. Aqueles que moram em Maceió e até mesmo em outros Estados, todos Natal costumam vir a Arapiraca para reencontrar a família.

Marlisa também vai passar o Natal longe do filho mais velho, que está em Sorocaba
“Até mesmo dentro de casa, nem todos terão a oportunidade de reunir todos os filhos, principalmente aqueles que moram fora, como é o meu caso. Pela primeira vez não vou passar o Natal com meu filho mais velho, que mora em Sorocaba [SP], mas a gente deve se ver em uma chamada de vídeo”, declarou.
Sobre a saudade, ela afirma que o alento é saber que, mesmo distantes, todos estão vivos em com saúde.
“O Natal sempre foi um momento de extrema alegria ao celebrar o nascimento de Jesus e de reencontrar todos. A pandemia veio para trazer novo significado para esses encontros, que a gente espera poder retomar quando não houver mais risco, e o mais importante de tudo é que não acabou com a união. Desta vez, na meia noite do dia 24 para o dia 25, a gente não vai se abraçar e desejar ‘Feliz Natal’, mas agradecemos a Deus porque poderemos retomar essa tradição futuramente”, comentou.
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