Sem trabalho devido pandemia, mãe começa a empreender e passa a vender quentinhas em Arapiraca
Maria José passou por dificuldades para sustentar quatro filhos e neto, mas com doação de irmãos da Igreja abriu um pequeno negócio
A figura da mulher frágil, que precisa de um homem que seja o protetor e o provedor está mais do que ultrapassada. Na maioria dos lares brasileiros elas são as chefes e esteios da família, como é o caso de Maria José dos Santos, 45 anos, de Arapiraca.
Mãe de oito filhos, com quatro deles e mais um neto morando e dependendo dela financeiramente, Maria José é sinônimo de mãe guerreira, que não mede esforços para sustentar e cuidar de seus filhos. Ela é a primeira homenageada pelo 7Segundos na série de matérias especiais: Mãe - Força e Afeto.
A Covid-19 mudou a rotina das famílias e só aumentou as dificuldades vividas por Maria José no seu dia a dia. Ela sustentava a família como diarista, mas viu as portas se fecharem e o dinheiro ficar cada vez mais escasso por conta da pandemia.
Sem Auxílio Emergencial e contando apenas com R$ 200 do Bolsa Família e ainda a ajuda esporádica do filho mais velho, que também é autônomo, Maria José se viu em apuros para pagar o aluguel da casa onde mora e ainda botar a comida na mesa para os quatro filhos mais novos, com idades entre 10 e 17 anos, além do neto de 5 anos que é criado por ela. Em meio à tribulação, a opção que surgiu para ela sustentar a família foi colocar em prática o antigo desejo de empreender, fazendo o que mais gosta e o que melhor sabe fazer: cozinhar.

Maria José em foto com parte dos oito filhos, cônjuges e neto (Arquivo Pessoal)
Antes disso, passou por dificuldades, principalmente depois que o Auxílio Emergencial dela foi cortado de maneira injusta. Ela conta que após receber o benefício de R$ 1.200 duas vezes, no terceiro mês descobriu que não teria mais acesso ao benefício. Ao buscar informações, soube que em um cruzamento de cadastros aparecia que a diarista, que trabalhava como autônoma, aparecia nos registros como se tivesse a carteira de trabalho assinada.
As dificuldades e o desejo de Maria José de iniciar o próprio negócio de venda de quentinhas, sensibilizaram os irmãos da igreja que ela frequenta, que deram o empurrão inicial que ela precisava.
“Já tinha trabalhado na cozinha do restaurante Zé Baixinho. Lá eu aprendi a cozinhar e as pessoas gostavam muito do meu tempero. Como eu sou cristã, Deus me deu a visão de que eu poderia vender marmitas. Eu não reneguei e com a ajuda da Igreja e dos meus irmãos, consegui o dinheiro para fazer as primeiras quentinhas. E até aqui está dando certo”, relata.
Logo nos primeiros dias, ela conseguiu fechar a venda de uma quantidade de marmitas para trabalhadores de uma obra e, com o dinheiro, alugou um ponto no bairro Brasília, onde segue preparando e vendendo as quentinhas.
“Não consegui nem colocar uma faixa para mostrar que estou vendendo quentinhas, porque primeiro preciso ter condições de pagar as despesas. Mas assim que puder, mando fazer porque vai chamar a atenção e atrair mais clientes”, relata.

Com esperança e bom humor, ela faz a propaganda dela: “Eu digo que a divulgação é a minha fé. Tem pessoas que passam por aqui e fica olhando com curiosidade para saber o que é, alguns não param, mas aqueles que param e provam a minha comida, estão aprovando o meu tempero”, relata.
Centrada, após colocar a fachada e de estar segura com o sustento dos filhos, o objetivo dela é um novo celular, porque o único que a família possui precisa estar livre para receber os pedidos de quentinha pelo telefone ou mensagens, dificultando para as crianças que precisam de acesso à internet para assistir as aulas à distância.
Quem quiser conhecer a comida caseira e o tempero famoso de Maria José, pode passar no seu estabelecimento, que fica na Rua Santa Rita, 555, no bairro Brasília, em frente à Farmácia do Trabalhador. Ela também aceita pedidos pelo 99625-1508.
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