Ao se apaixonar pela maternidade, arapiraquense resolve ajudar outras mulheres a darem a luz
Cris Ribeiro é doula e dedica à profissão todo amor que sente pelos filhos
Hoje nosso papo é sobre amor. Na verdade o papo é sobre mãe, o que no final das contas acaba sendo praticamente a mesma coisa. Apesar de o sentimento de maternidade estar muito além do ato de dar a luz, nesse texto especial em homenagem às mães, vamos falar sobre parto.
A maneira como uma mulher é tratada durante seu parto se torna uma marca para a vida toda, seja positiva, seja negativa. E é com objetivo de transformar esse momento tão mágico em algo ainda mais bonito, que uma profissão tem ganhado muitas adeptas. Você já ouviu falar em doula?
Não, doula não é parteira, tampouco enfermeira obstetra. Doula é a pessoa responsável por acompanhar gestantes durante o parto - antes, durante e depois do nascimento. Dentre as suas principais atribuições está o de dar apoio emocional e sugerir técnicas não medicamentosas ou exercícios para alívio de dor. Também tem a função de estar atenta para evitar que sejam realizados procedimentos hospitalares que a mãe não queira.
O amor pela maternidade levou a arapiraquense Cris Ribeiro, de 34 anos, a transformar esse afago no coração em profissão, e hoje trabalha ajudando outras mulheres a conhecerem os verdadeiros amores de suas vidas: seus filhos.

"Em 2013, eu cursava fisioterapia e nem pensava em engravidar, mas já sonhava com o parto humanizado. Era dessa forma que eu queria trazer meus filhos ao mundo. Ser mãe sempre foi um sonho. Aos 17 anos, eu já tinha o nome dos meus filhos escolhidos", disse ela.
Apesar de não ter concluído a faculdade, ela deixa claro que seus maiores diplomas são as certidões de nascimento dos seus dois filhos, Adryan e Aylla, de 6 e 3 anos. "Lá consta meu nome como mãe. Eles são a força que me faz querer que nenhuma mulher passe pelo parto com sofrimento e ser mais uma história triste pra contar", desabafou Cris.
E é esse amor pelas próprias crias e pelo processo que ela mesmo experimentou que fez com que a doula arapiraquense se dedicasse a incentivar outras mulheres a buscar o parto humanizado.
"A doula não interfere na escolha da mulher e seu médico. Porém o fato dela apoiar e desmistificar muitos mitos que foram perpetrados ao longo de décadas, faz com que a mulher se sinta mais confiante. O medo do parto é o medo do desconhecido, a maioria das mulheres desconhecem a sua anatomia e fisiologia, isso faz com que elas sejam alvos fáceis de falácias como 'não tem passagem', 'o bebê estava colado nas costelas', entre outras coisas", relatou.

Intenso, divertido e inesquecível
Foi com essas palavras que a coach arapiraquense Luana Paiva descreveu seu parto, ocorrido há cinco anos. Para ela, a presença de uma doula foi fundamental, principalmente nos momentos em houve tentação em desistir.
"Comecei a pesquisar e estudar sobre parto humanizado uns dois anos antes de pensar em engravidar. A única certeza que tinha era que eu me prepararia para um parto natural, respeitoso, seguro e cheio de afeto. E isso claro envolve os profissionais que nos acompanham. Não sabia exatamente o papel da doula, e nas pesquisas fui entendendo e decidindo que teria uma", disse Luana.
Cris Ribeiro foi a profissional escolhida por Luana Paiva para ajudá-la nesse processo de "tornar-se" mãe do seu primeiro filho, Bernardo, hoje com 5 anos de idade.
"Foi um parto domiciliar planejado de 21 horas, com o acompanhamento de uma equipe de enfermeiras especializadas e da doula. Sendo transferida para a maternidade nas últimas 2 horas e a Cris esteve sempre ao meu lado, me orientando, informando com muito embasamento científico, me acolhendo, entendendo meus sentimentos, tirando minhas dúvidas e me preparando com o que fosse necessário para esse momento", contou.

Quem ama o processo de maternidade, o ama por inteiro. De acordo com Luana, quando ela entrou em trabalho de parto, Cris foi a primeira a chegar e ficou até o final
"Em momentos que quis desistir e fraquejar, ela me relembrou a potência e capacidade que eu tenho. A força na natureza e da mulher que existe em mim. Isso foi fantástico! Na dor, ela massageava, no choro, ela acolhia, nas presepadas, ela ria junto, ela me via, ouvia e me sentia pra tomar as melhores decisões. Lembro-me do olhar acolhedor e observador dela a todo momento, não tirava os olhos de mim", finalizou emocionada.
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