Roberto Dias é preso durante CPI mas paga fiança de R$ 1.100 e deixa a delegacia em Brasília
Ex-diretor do Ministério da Saúde foi preso acusado de mentir à CPI da Pandemia
O ex-diretor do Ministério da Saúde, Roberto Dias, preso por decisão da CPI da Pandemia, pagou fiança no valor de R$ 1.100 e foi liberado pela Polícia Legislativa por volta das 23h desta quarta-feira (7). Dias prestou depoimento por mais de cinco horas na delegacia do Senado e agora responderá ao processo em liberdade.
A prisão foi pedida pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD), que acusou o depoente de mentir durante a sessão. A ordem foi dada após áudios do celular de Luiz Paulo Dominghetti serem revelados pela CNN e colocarem em xeque a versão de Roberto Dias, de que foi acidental o encontro em que Dominghetti afirma ter recebido um pedido de propina.
Antes mesmo da revelação das conversas de áudio, Aziz já havia reclamado que Dias estava se esquivando das perguntas formuladas pelos senadores. "O depoente vai ser recolhido pela Polícia do Senado. Ele está mentindo desde cedo e tem coisas que não dá para admitir (...) chame a Polícia do Senado. O senhor está detido pela presidência da CPI", afirmou Aziz.
Segundo a analista de política da CNN Thaís Arbex, a defesa do ex-diretor Roberto Dias irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão de Omar Aziz. Para os advogados de Dias, Aziz cometeu "abuso de autoridade" ao determinar a prisão do ex-diretor.
A defesa de Roberto Dias pretende apelar ainda para um aspecto técnico, usando um trecho do regimento do Senado que proíbe o funcionamento simultâneo de comissões com a votação no plenário da Casa. Como a chamada "ordem do dia" já tinha sido iniciada, os advogados vão argumentar que o ato que mandou prender o ex-diretor seria nulo.
Áudios
A sequência de fatos que levou à prisão de Roberto Dias foi pautada por áudios, divulgados pela CNN Brasil. Gravações colocaram em xeque versões dadas por Dias à CPI, como a que ele alegou que seu encontro com Dominghetti em um restaurante em Brasília foi acidental.
Na noite do dia 26 de fevereiro, Luis Paulo Dominghetti, o policial militar de Minas que virou atravessador de vacinas, procurou o coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde, manifestando preocupação com o andamento da negociação.
Naquele dia, Dominghetti havia estado com o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, e havia saído de lá manifestando, também em mensagens a aliados, entusiasmo.
Por volta das 19h20, Dominguetti envia um áudio ao coronel Blanco --homem que, segundo ele, teria presenciado o pedido de propina de Dias à Davati. "Comandante, tudo bem? Eu preciso que o Dias ligue para o CEO, presidente da Davati. Porque nós vamos tomar bomba. Nós estamos tão perto, nós vamos tomar bomba."
Áudios trocados entre representantes da Davati Medical Supply também mostram que as negociações com o então diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, ocorriam desde o início de fevereiro e que havia pedido para que ocorresse um encontro em Brasília.
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