A formação rochosa dos cânions de AL é diferente de MG mas pode desabar, alerta geóloga
Rochana Campos afirma que é necessária a elaboração de um plano de riscos
Em entrevista ao radialista Batista Filho, do programa Antena Tarde, da Rede Antena 7, a geóloga e doutora em Geociências, Rochana Campos de Andrade Lima, falou sobre a tragédia que aconteceu no último sábado (08) no município de Capitólio, em Minas Gerais. O trecho de uma estrutura rochosa nos cânions do Lago de Furnas desabou e matou dez turistas que faziam passeio de barco. Outras 32 pessoas ficaram feridas.
De acordo com a geóloga, todo setor turístico tem que ser alertado e realizar levantamentos geológicos nessas áreas rochosas e de grande potencial turístico, como os cânios do São Francisco no município de Piranhas, no Alto Sertão Alagoano.
Ela afirmou que a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) é a empresa federal no Brasil que faz esse tipo de serviço para identificar áreas de riscos. A professora disse ainda que é preciso realizar mapas de risco em todas as regiões do país para tentar evitar tragédias como essa.
"O paredão de rochas do Lago de Furnas, em Minas Gerais é composto por rochas cristalinas e apresenta vários cortes na horizontal e vertical e portanto, o bloco que caiu estava sem sustentação no pé, na base dele. Durante milhões de anos vem sofrendo o desgate da ação do vento e da chuva", explicou.
Cânion em Alagoas
A geóloga Rochana Campos explicou que as rochas dos cânions do Rio São Francisco, em Alagoas são diferentes daquelas no interior de Minas Gerais. As nossas são rochas arenitícas da bacia sedimentar e geralmente vão se desgastando de forma menos agressiva.
" Geralmente elas vão se desgastando como se fosse açucar derretendo. Mas não impede de um bloco de arenito cair", relatou.
Rochana que é professora do curso de Engenharia Civl da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) afirma que é necessário realizar um plano de gestão de risco nessas áreas. Barcos, lanchas e outros tipos de embarcações devem ficar um determinado perímetro distantes das encostas rochosas.
" Eu levo meus alunos para o Cânio do Talhado mas tenho o cuidado de mantê-los afastados porque se próximo a encosta tiver uma topografia negativa, ou seja, uma cunha aberta que pode romper e cair", explicou.
Ouça a entrevista completa da geóloga Rochana Campos:
Áudios
ENTREVISTA - ROCHANA CAMPOS - GEOLOGA - 10-01-2022.mp3
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