Golpes, tráfico e até cosmético falso: blogueiras 'faturam' ilegalmente
Os casos de influenciadoras que "lucram" de forma ilegal são recorrentes
A blogueira carioca Rayane da Silva Figliuzzi, 24, foi presa ontem suspeita de participar da quadrilha "Família Errejota", especializada no chamado "golpe do motoboy".
Segundo as investigações, mulheres do grupo ligavam para as vítimas, em geral pessoas idosas, e, então, se passavam por funcionárias de um banco. Na ligação, comunicavam a respeito de uma falsa compra suspeita e pediam para a vítima digitar a senha do cartão no telefone. Um sistema usado pela quadrilha fazia com quem elas então tivessem acesso aos números digitados.
Em seguida, a vítima era informada que um motoboy iria recolher o cartão em sua casa para que ele fosse descartado. Tendo acesso ao cartão e à senha, a quadrilha realizava saques, empréstimos, compras e transferências.
Chama atenção que uma pessoa seguida por mais de 90 mil pessoas — como é o caso de Rayane — ostente com dinheiro criminoso, mas os casos de influenciadoras que "lucram" de forma ilegal são recorrentes.
Tráfico internacional

Laís Crisóstomo (Foto: Divulgação) Imagem: Reprodução / Internet
A influenciadora digital mineira Laís Crisóstomo e um homem foram presos em flagrante em agosto no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, quando tentavam embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes.
Na bagagem, a Polícia Federal encontrou quase meio quilo de cocaína oculto em cápsulas em frascos de suplementos alimentares.
Nas redes sociais, Laís ostentava uma vida de luxo e frequentes viagens a Dubai para seus mais de 400 mil seguidores. Além dos cenários paradisíacos, a influenciadora também completava suas fotos com acessórios de luxo, como bolsas das grifes Chanel, Saint Laurent e Dior.
Acusada de tráfico internacional de drogas, ela foi solta em outubro após determinação da Justiça Federal.
Golpe do motoboy

Estelionatárias, entre elas Anna Carolina (de verde), brincavam com condição financeira de possíveis vítimas Imagem: Reprodução/Instagram e Divulgação/Polícia Civil
O golpe aplicado por Rayane da Silva Figliuzzi já era praticado por outra organização criminosa no ano passado. Entre os membros, estava a blogueira Anna Carolina de Sousa Santos, de 32 anos. Ela se entregou à Justiça em agosto.
A prática era a mesma: o grupo entrava em contato com as vítimas se passando por funcionárias de administradoras de cartão de crédito e conseguia os dados bancários das pessoas. Elas mandavam um suposto motoboy até a casa das pessoas para buscar documentos. Com os dados, as mulheres realizavam saques em contas bancárias.
Antes da prisão, Anna se apresentava nas redes sociais como dona de uma loja de joias de prata, frequentadora de festas e passeios de lancha, além de desfrutar de estadias em hotéis caros.
Gatinha da cracolândia

"Gatinha da Cracolândia" l Lorraine Cutier Bauer Romeiro Imagem: Reprodução/Instagram
Lorraine Cutier Bauer Romeiro, de 19 anos, ficou conhecida como "gatinha da Cracolândia" em um dos casos com mais repercussão no último ano.
Ela foi presa em Barueri (SP) em julho. Na casa em que a mulher estava, foram encontradas mais de 400 porções de crack, cocaína, maconha e ecstasy, além de quase 100 frascos de lança-perfume.
A jovem de classe média acumulava mais de 30 mil seguidores no Instagram e mostrava um estilo de vida luxuoso nas redes sociais. Segundo a Polícia Civil, Lorraine era apontada pela investigação como a responsável por administrar uma das tendas na área conhecida pelo intenso fluxo de venda de entorpecentes na capital paulista e tinha lucro diário de até R$ 6 mil.
Cosméticos falsificados

Rafaela Braga foi presa sob suspeita de falsificar cosméticos com seu marido, pai e mãe Imagem: Reprodução
A blogueira Rafaela Braga, o pai, o marido e a mãe foram presos em abril em Contagem (MG) sob suspeita de falsificação de produtos cosméticos.
A principal suspeita dos crimes, seguida por mais de 70 mil pessoas, vendia os produtos falsificados em sua própria clínica de estética, na internet e também em cursos que ministrava.
As falsificações, por sua vez, aconteciam de várias formas. A jovem adquiria um produto original, adicionava outros componentes — até então desconhecidos pela polícia — e revendia com seu próprio rótulo.
Ela também tinha uma linha de cosméticos licenciada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas até esses produtos eram adulterados. Além dos consumidores finais, empresas também estão entre as vítimas.
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