Governo anuncia bloqueio adicional de R$ 6,73 bilhões no orçamento federal
União revisa cálculos ao longo do ano para que seus gastos não ultrapassem limite definido pro lei
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (22) um bloqueio adicional de R$ 6,73 bilhões de recursos do Orçamento.
O anúncio foi feito através da Avaliação de Receitas e Despesas, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), publicado nesta sexta-feira. A informação havia sido antecipada pela analista de Política da CNN Renata Agostini.
“A necessidade de bloqueio total para o exercício financeiro de 2022 sobe de R$ 9,96 bilhões no 2º bimestre para R$ 12,74 bilhões no 3º bimestre; ou seja, um acréscimo de R$ 2,77 bilhões”, disse o Ministério da Economia em nota. Segundo a pasta, o detalhamento do bloqueio sairá em uma semana, quando da publicação do decreto de programação.
Este não é o primeiro bloqueio promovido no orçamento federal. Em março foi divulgado a obstrução de R$ 1,7 bilhão. Em junho, veio o segundo, de R$ 8,7 bilhões. Todos eles têm como objetivo o cumprimento do teto de gastos.
O movimento ocorreu após a aprovação da chamada PEC dos Benefícios, que envolve R$ 41,25 bilhões de novos gastos fora do teto, justificados pela declaração de um estado de emergência.
Além disso, cortes em pastas têm sido buscados pelo governo, como é o caso da decisão do Legislativo de liberar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), uma conta de R$ 2,5 bilhões.
Outro ponto foi a derrubada do veto presidencial à Lei Paulo Gustavo, que prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões ao setor cultural.
Projeções fiscais
A projeção da União para a Receita Primária Total em 2022 aumentou em R$ 59,014 bilhões para R$ 2,226 trilhões. Para a Receita Líquida de Transferências em 2022, aumentou em R$ 51,955 bilhões, para R$ 1,774 trilhão.
Já a projeção para a Despesa Primária Total em 2022 aumentou em R$ 45,819 bilhões, para R$ 1,834 trilhão. Desse montante, a despesa obrigatória teve aumento de R$ 46,746 bilhões, para R$ 1,679 trilhão, e as despesas discricionárias tiveram queda de R$ 927 milhões, para R$ 154,246 bilhões.
A projeção para o déficit primário do governo central diminuiu em R$ 6,136 bilhões, para R$ 59,354 bilhões (0,6% do PIB); a meta para o déficit primário do governo central neste ano é de R$ 170,473 bilhões.
“Essa projeção para o déficit primário do governo central já incorpora a EC 123/22 (R$ 41,25 bilhões) e a LC 194/22 – redução do PIS/Cofins/Cide sobre gasolina e etanol (R$ 16,51 bilhões)”, disse a pasta.
A equipe econômica projeta uma alta de 2% no PIB do ano, com IPCA a 7,2%.
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