MPF reúne-se com ciganos em Penedo (AL)
Discriminação, visibilidade e preservação cultural são discutidas com representantes dos povos ciganos
Com o objetivo de dar visibilidade à população cigana da etnia Calon de Penedo, conhecer seus desafios e vulnerabilidades, combater o preconceito e a discriminação, o Ministério Público Federal (MPF) realizou reunião institucional com a comunidade cigana em Penedo, no estado de Alagoas, nesta quinta-feira (25). A visita teve como objetivo conhecer de perto a realidade da comunidade e ouvir suas principais necessidades e demandas. Essa ação ocorre na semana em que se comemora o Dia Nacional dos Povos Ciganos, em 24 de maio.
A visita do procurador da República Érico Gomes, titular do Ofício de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais em Alagoas, representa importante marco no compromisso do MPF com a promoção dos direitos humanos e a preservação das comunidades tradicionais, incluindo os ciganos. Os ciganos têm uma história ancestral no Brasil, sendo registrada a sua chegada ainda no século XVI, quando vieram de Portugal.
Durante a visita, os ciganos contaram um pouco de sua relação com a cidade, bem como as dificuldades causadas pelo preconceito e pela própria resistência ao povo cigano, resultado de anos de preconceito e violência. Relataram dificuldades em conseguir emprego e a falta de inclusão por parte do poder público na prestação de serviços como saúde, educação e até para emissão de documentos.
Eles reconheceram que sua invisibilidade é também uma forma de preservação da comunidade e da identidade cultural cigana. No entanto, demonstraram interesse nas orientações recebidas e na defesa de seus direitos proporcionada pelo MPF.

Ação aproximou da comunidade do MPF. Foto: assessoria/MPF
Em relação ao Dia Nacional dos Povos Ciganos, o procurador da República Érico Gomes destacou a importância de se celebrar e valorizar a diversidade étnica e cultural do Brasil. Ele ressaltou que a preservação das comunidades tradicionais, como os ciganos, é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, destacando a importância dessa escuta qualificada.
"É essencial reconhecer a riqueza cultural que os ciganos trazem ao nosso país. Suas tradições, línguas, costumes e conhecimentos representam um patrimônio imaterial de valor inestimável. O Ministério Público Federal está comprometido em atuar para proteger e preservar a cultura cigana, assegurando seus direitos e combatendo qualquer forma de discriminação", afirmou Érico Gomes.
Atuação Nacional – Em 2018, o MPF produziu o documentário Ciganos: Povo Invisível. Com 20 minutos de duração, o filme conta histórias de sofrimento, luta e superação de um povo que habita o país desde 1574, segundo historiadores, mas não tem sequer todos os acampamentos catalogados pelo governo. Em 2020, foi lançada a coletânea de artigos Povos Ciganos – Direitos e Instrumentos para sua Defesa. Organizada pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR), a publicação eletrônica discute temas como identidade, preconceito, (in)visibilidade, legislação e direitos da população.
Ciganos no nordeste – Documentos revelam que o primeiro registro oficial da entrada de ciganos no Brasil ocorreu no século XVI, no ano de 1574. Na época, um alvará emitido por D. Sebastião substituiu a pena de galés por degredo, enviando um cigano português chamado João Torres com sua família para o Brasil. Já em 1686, relatos documentados indicam que ciganos eram enviados ao Brasil como degredados, principalmente para os estados da Bahia, Maranhão e Pernambuco – na época, Alagoas era parte de Pernambuco. Esses fatos históricos corroboram a longa e rica trajetória da comunidade cigana em solo brasileiro.
Os ciganos da etnia Calon de Penedo, com cerca de 520 famílias, fixaram-se na cidade na década de 1970 e relatam uma história de violação de direitos por parte do poder público, mas reconheceram que a atual administração da cidade tem dado maior visibilidade e proporcionado melhorias.
O Ministério Público Federal reafirma seu compromisso em promover a igualdade, a diversidade e a garantia dos direitos humanos de todas as comunidades tradicionais, incluindo os ciganos. A visita à comunidade cigana em Penedo é parte dessa missão, fortalecendo a aproximação e o diálogo entre o MPF e as comunidades tradicionais.
Últimas notícias
Bolsonaro volta à prisão na PF após receber alta hospitalar
Primeira-dama e prefeito JHC divulgam programação do Verão Massayó 2026
Turistas e ambulantes bloqueiam trânsito na orla da Ponta Verde e DMTT pede apoio da polícia
Jangada com fogos vira no mar e provoca pânico durante Réveillon em Maragogi
Primeiro bebê de 2026 em Alagoas nasce no Hospital da Mulher, em Maceió
Gusttavo Lima faz pocket show surpresa em resort na Barra de São Miguel e encanta hóspedes
Vídeos e noticias mais lidas
Policial Militar é preso após invadir motel e executar enfermeiro em Arapiraca
Alagoas registrou aumento no número de homicídios, aponta Governo Federal
Saiba o que a esposa do PM suspeito de matar enfermeiro disse em depoimento à polícia
Estado de Alagoas deve pagar R$ 8,6 milhões a motoristas de transporte escolar
