Conheça o carabineiro, camarão do momento que desperta o 5° paladar
De tamanho avantajado e cor intensa, camarão-carabineiro vive em grandes profundidades. No Brasil, apenas uma embarcação é capaz de capturá-lo em volume comercial
A coloração avermelhada da casca é apenas um entre tantos atributos do crustáceo que é considerado um dos mais saborosos do mundo. Com mais de 30 centímetros de comprimento, o camarão-carabineiro se tornou o ingrediente do momento na alta gastronomia.
Consumido por completo - das patas às vísceras - o crustáceo tem um sabor intenso e adocicado que desperta nas papilas gustativas o quinto paladar: o umami. Caracterizado pelo prolongamento da gustação e aumento da salivação, o sabor foi reconhecido cientificamente nos anos 2000.
As particularidades da espécie justificam o preço extravagante de venda no Brasil, que pode chegar a R$ 400 por quilo, mas não são as únicas razões. O "gigante do mar", batizado cientificamente de Aristaeopsis Edwarsiana, habita em quase mil metros de profundidade do oceano.
Por conta da condição especial de pesca, no Brasil, apenas uma embarcação é capaz de içar os camarões em volume comercial. Em atividade desde o começo deste ano, em Navegantes (SC), o barco "Cordeiro de Deus" possuiu motores extras e funciona como uma unidade fabril a bordo.
Com 27 metros de comprimento e estrutura industrial, o barco é apropriado para fazer viagens longas, sem prejudicar a qualidade dos pescados.
Barco fábrica 🚢
A embarcação foi desenvolvida por Manoel Cordeiro, que desde a infância esteve envolvido com a atividade de pesca. Ao g1, ele explicou que levou quase quatro anos para concluir a construção do barco.
"Depois que conheci o carabineiro, li alguns estudos e vi que era promissor (...) Não tenho noção de quanto investi, mas é um orgulho ver o barco funcionando. Foram anos de dedicação. Comprei as peças de pouco em pouco", conta o pescador, que administra os negócios com a ajuda da família.
Com uma rede de pesca que alcança o fundo do oceano, o barco se afasta quase cem milhas da costa e segue até Cabo Frio (RJ). A cada viagem, que dura em média 30 dias no mar, Manoel recolhe quase cinco toneladas do crustáceo.
Após a captura, imediatamente os camarões são higienizados, embalados e congelados, prontos para serem entregues aos fornecedores.
Rei dos camarões 💸
No estado de São Paulo, o carabineiro é o ingrediente do momento na alta gastronomia.
Em um famoso restaurante localizado em Pinheiros, região nobre da capital paulista, o crustáceo é aproveitado por completo em três preparos: caldo especial feito com a cabeça, a carcaça recheada com tartare de camarão, releitura do clássico " chuchu com camarão carioca" e o lombo grelhado no carvão.
"O carabineiro tem um sabor mais doce do que as outras espécies. Além disso, no interior dele, principalmente em relação à cabeça, o sabor é mais intenso. É isso o que torna ele um dos mais gostosos", afirma o chef Luiz Filipe Souza.
No restaurante, premiado com um estrela do Guia Michelin, o menu-degustação custa R$ 800 por pessoa.
Raridade das profundezas 🦐
Abundante na costa do Chile, o Aristaeopsis Edwarsiana passou a ser popularmente chamado de carabineiro por conta da sua coloração avermelhada, que se assemelha aos uniformes usados pelos soldados do grupo "Carabineiros do Chile".
Mas, além da estética, a cor intensa do crustáceo chama a atenção por outro motivo. Segundo Rogério Caetano da Costa, professor e especialista em zoologia dos invertebrados da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o vermelhidão é um truque desenvolvido por camarões de grande profundidade para despistar possíveis predadores.
"O fundo do mar é escuro e - normalmente - os predadores geram uma luz meio verde e azul para capturar as presas. Com a cor vermelha fica mais difícil de localizá-las", explica o professor.
Ainda sobre os atributos físicos, Rogério afirma que o carabineiro é um dos maiores camarões já existentes. No geral, as fêmeas são as maiores, já que podem atingir 35 centímetros.
"Os carabineiros são uma verdadeira raridade das profundezas. Diante disso, vejo que é necessário que haja mais pesquisas para analisarmos essa exploração. Isso é importante para evitar o risco de extinção".
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