Batalhão da PM queima cruz em ritual com tom supremacista em SP
Perfil oficial do 9º Baep, de São José do Rio Preto e região, postou vídeo com PMs fazendo gestos que remetem a rituais supremacistas
O perfil oficial no Instagram do 9° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), de São José do Rio Preto e região, no interior de São Paulo, postou um vídeo com policiais militares queimando cruzes e fazendo gesto com tom que remete a rituais de grupos supremacistas, como a Ku Klux Klan, nos Estados Unidos.
A publicação foi tirada poucos minutos depois. A gravação, com direito a produção envolvendo imagens aéreas e trilha sonora, foi feita em um ambiente noturno. O vídeo tem pelo menos 14 PMs diante de uma cruz pegando fogo e uma trilha com o caminho marcado por fogo.
No fundo, aparece a palavra Baep também pegando fogo, além de bandeiras da corporação ao lado e viaturas da PM ligadas.
O 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) foi procurado pela reportagem, mas não se posicionou sobre o vídeo até o momento da publicação. O Metrópoles apurou que o comando do batalhão já foi cobrado internamente a prestar esclarecimentos sobre o vídeo.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) também foi procurada pela reportagem. Em nota, a pasta disse que a produção do vídeo será investigado pela Polícia Militar.
Veja a nota na íntegra:
“A Polícia Militar é uma instituição legalista e repudia toda e qualquer manifestação de intolerância. Assim que tomou conhecimento das imagens, a Corporação instaurou um procedimento para investigar as circunstâncias relativas ao caso. A Corporação não compactua com desvios de conduta e reforça que qualquer manifestação que contrarie seus valores e princípios será rigorosamente apurada e os envolvidos responsabilizados”.
O que é Ku Klux Klan
A Ku Klux Klan (KKK) surgiu nos Estados Unidos, na segunda metade do século XIX, entre os anos de 1865 e 1866, na cidade de Tennessee, no sul do país.
Entre outras coisas, o movimento defendia ideias supremacistas brancos, promovendo atentados contra negros, recém-libertados pela 13ª Emenda Constitucional dos Estados Unidos. Brancos que de alguma forma defendiam os direitos dos negros também eram alvos dos ataques.
Ao longo dos anos de existência do grupo terrorista, os ataques continuaram sendo focados nos negros e incluíram os judeus a partir do século XX.
No ponto mais alto, o grupo terrorista contou com quatro milhões de membros na chamada segunda fase. Foi nessa época que a cruz em chamas se tornou um símbolo da klan.
No vídeo divulgado e apagado pelo Baep, um dos elementos é justamente uma cruz pegando fogo.
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