Investigação descarta premeditação, mas indicia policial por assassinato de colegas em AL
Durante as investigações, 18 pessoas foram ouvidas durante a apuração, incluindo quatro testemunhas oculares, que relataram ter ouvido os estampidos e visto o acusado deixando o veículo com a arma em punho
A Polícia Civil de Alagoas concluiu o inquérito que investigou as mortes dos policiais civis Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, assassinados na madrugada de 20 de maio deste ano, em Delmiro Gouveia, no Sertão do estado. O principal suspeito, o policial civil Gildate Goes, de 61 anos, foi indiciado pelo duplo homicídio qualificado.
Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (15), o delegado Sidney Tenório afirmou que as investigações reuniram elementos suficientes para apontar a autoria do crime e que os indícios contra o acusado são "muito robustos". Segundo o delegado, Gildate foi indiciado por ter agido de forma a impossibilitar a defesa das vítimas, uma vez que os disparos foram efetuados de maneira inesperada. Apesar disso, a motivação do crime não foi esclarecida.
"Não há dúvidas de que o acusado foi quem efetuou os disparos que mataram os dois colegas. No entanto, apenas alguém que estava no veículo naquele momento poderia explicar o que motivou o crime", afirmou Sidney Tenório.
De acordo com as investigações, o acusado foi ouvido duas vezes e manteve a versão de que não se recorda do que aconteceu, alegando apenas ter ingerido grande quantidade de bebida alcoólica junto com as vítimas.
O delegado regional adjunto Leandro Martins informou que os três policiais permaneceram em uma choperia entre 18h30 e 0h30 do dia do crime. Garçons do estabelecimento relataram que os colegas aparentavam estar em clima amistoso e sem qualquer desavença. Ao todo, teriam consumido nove rodadas de chope.
As investigações apontaram ainda que Yago Gomes Pereira deixou o local dirigindo a viatura, enquanto Gildate ocupava o banco traseiro. Os disparos atingiram os dois policiais na cabeça.
Ao todo, 18 pessoas foram ouvidas durante a apuração, incluindo quatro testemunhas oculares, que relataram ter ouvido os estampidos e visto o acusado deixando o veículo com a arma em punho antes de caminhar pela rua.
Exames toxicológicos realizados nas três pessoas envolvidas descartaram o uso de drogas ilícitas e medicamentos controlados. Os testes apontaram índices de alcoolemia de 2,1 gramas por litro para Yago e 2,3 gramas por litro para Denivaldo. O exame de alcoolemia de Gildate teve resultado negativo em razão do intervalo entre o crime e a coleta, mas, segundo a Polícia Civil, há outros elementos que comprovam que ele estava embriagado.
A perícia confirmou que a arma utilizada no crime pertencia ao próprio acusado. Já a análise dos celulares dos envolvidos não identificou mensagens que indicassem conflitos, ameaças ou qualquer desavença anterior, apenas conversas relacionadas ao trabalho.
Segundo os investigadores, não foram encontrados indícios de premeditação. A hipótese é de que alguma discussão tenha ocorrido dentro da viatura, embora o suspeito continue afirmando não se lembrar do que aconteceu.
Para a Polícia Civil, o estado de embriaguez não afasta a responsabilidade criminal do acusado.
"Ele escolheu se embriagar sabendo que estava portando uma arma", destacou a corporação.
O caso, que causou forte comoção entre os policiais civis alagoanos, será agora analisado pela Justiça. Paralelamente, caberá ao Conselho Superior de Polícia decidir sobre a eventual expulsão de Gildate Goes dos quadros da instituição.
"Estou há 40 anos na Polícia Civil e nunca presenciei um fato tão bárbaro, que causou tanta comoção aos nossos policiais civis", declarou Sidney Tenório.
O crime
Yago Gomes Pereira, natural de Sergipe, ingressou na Polícia Civil em 2023 e era lotado na 1ª Delegacia Regional de Delmiro Gouveia. Já Denivaldo Jardel Lira Moraes, natural de Pernambuco, integrava a corporação desde 2003.
Os dois foram mortos a tiros dentro de uma viatura da Polícia Civil, no Centro de Delmiro Gouveia, na madrugada de 20 de maio. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas as vítimas já estavam sem vida quando o socorro chegou.
Gildate Goes foi preso horas depois em sua residência e, segundo a Polícia Civil, apresentava falas desconexas no momento da abordagem.
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