[Vídeo] Escola em Arapiraca adere a movimento contra telas na infância e vira referência em educação consciente
Arapiraca é primeira cidade do Nordeste com uma escola que proíbe telas por contrato
No interior de Alagoas, longe das grandes capitais e do Vale do Silício, nos Estados Unidos, uma cidade tem feito algo que poucos centros urbanos ousaram: colocar a infância acima da tecnologia.
E não é exagero
Arapiraca, no Agreste de Alagoas, se tornou a primeira cidade do Nordeste com uma escola que proíbe telas por contrato e assina um modelo pedagógico baseado em vínculo, natureza e presença.
A iniciativa partiu do educador e empreendedor Darlington Lima, fundador do programa “Nosso Mundo”, uma metodologia criada dentro da *Vancouver Education Center*, que se tornou símbolo de resistência em meio à avalanche digital da educação infantil.
“A tela facilita a vida do adulto. Mas atrasa o desenvolvimento da criança.”, afirma Darlington, que também é pai de Noah, protagonista de um vídeo que viralizou nas redes sociais.
Na gravação, Darlington pergunta ao filho:
“-Noah, o que significa Tio Tok? E Noah, com naturalidade, responde: -Não sei.”
O vídeo, simples e potente, se espalhou como manifesto silencioso de uma nova geração de pais que está escolhendo *tirar a infância do algoritmo*.
Assista logo abaixo:
Darlington Lima alerta sobre “os dados que ninguém quer ouvir, mas que Arapiraca já entendeu.”
Ele se refere à posição da ciência em alertar que o uso excessivo de telas na primeira infância está associado a sérios prejuízos cognitivos, sociais e emocionais e cita dados de estudos sobre o tema de relevância mundial:
* Um estudo da *Universidade de Calgary* com mais de 2.400 crianças revelou que *cada hora a mais de tela por dia está diretamente ligada a atrasos na linguagem, problemas de autocontrole e atenção reduzida*.
* A revista científica *JAMA Pediatrics* publicou uma revisão de 30 estudos que mostrou que o uso de telas por pais e filhos *diminui a qualidade do vínculo emocional, afeta o sono e atrasa o desenvolvimento socioemocional*.
* E mais: segundo dados da *American Academy of Pediatrics, crianças com menos de 5 anos expostas por mais de 2h/dia a telas **têm maior risco de desenvolver quadros de ansiedade, hiperatividade e depressão na adolescência.*
Da resistência ao crescimento: a expansão do Nosso Mundo em Arapiraca
O programa Nosso Mundo nasceu pequeno, com um objetivo claro: ensinar inglês na infância sem usar nenhuma tela.
Nada de tablets, projetores ou "aulas interativas". Apenas histórias contadas ao vivo, brincadeiras com o corpo inteiro, pés descalços, afeto e construção coletiva.

Alunos da Escola Nosso Mundo durante atividades. Foto> cortesia ao 7Segundos
A ousadia deu certo
Tão certo que a escola precisou construir duas novas salas em tempo recorde — e mesmo assim não conseguiu atender toda a demanda.
Agora, a Vancouver se prepara para uma mudança de sede: um espaço maior, com mais contato com a natureza, mais árvores, mais chão batido — e mais famílias conscientes.
“A fila de espera cresceu e o orgulho também”, disse Darlington Vancouver.
Arapiraca como vanguarda nacional (e internacional)
Darlington afirma que o que está acontecendo em Arapiraca não é inédito, é visionário.
Ele relata que em cidades como Los Angeles, Nova York e Paris, escolas particulares de elite já começaram a limitar o uso de tecnologia na primeira infância.
No próprio Vale do Silício, berço do iPhone, do iPad e do Google, executivos da big tech estão colocando seus filhos em escolas sem nenhuma tela até aos 12 anos, explicou.
“Mas enquanto essas tendências ainda parecem distantes para o Brasil, Arapiraca não esperou: fez primeiro, fez com coragem e fez com afeto”, diz o educador.
“Não se trata de ser contra a tecnologia, mas de não terceirizar a infância”, reforça Darlington, hoje visto como um líder de um novo movimento educacional na região.
Um movimento que só está começando
Darlington destaca os desdobramentos que a metodologia está trazendo.
“O que nasceu entre um pai e uma mãe — apaixonados pelo próprio filho — virou metodologia, virou sala de aula, virou lista de espera… e agora começa a virar cidade. Arapiraca está formando um ‘movimento de pais conscientes’ que não querem mais distração, querem desenvolvimento, tempo de qualidade e presença. O Brasil está começando a olhar pra cá.”, destacou, chamando a atenção também para uma questão:
“Se o Vale do Silício está tirando as telas da infância…Por que você ainda acha que isso é exagero?”, questiona Darlington.
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