Deputados discutem impactos da mineração em Craíbas; contaminação pode chegar no Rio São Francisco
Sessão itinerante contou com a presença das comunidades atingidas pela mineração
Uma comissão formada por quatro deputados estaduais esteve na manhã desta quarta-feira (24) em Craíbas, no agreste alagoano, onde aconteceu uma sessão pública para tratar das atividades mineratórias no município, que são alvo de muitas críticas por parte da população local.
Durante o ato, realizado na Câmara de Vereadores da cidade, estiveram presentes os deputados Ronaldo Medeiros (PT), que é o presidente da comissão, Sílvio Camelo (PV), Ricardo Nezinho (MDB) e Fernando Pereira (PP), além de membros das Defensorias Públicas da União e de Alagoas, vereadores e integrantes de órgãos públicos, além de moradores das comunidades impactadas.
Parte que deveria estar interessada no debate, a Mineradora Vale Verde não enviou nenhum representante ao local, apenas registrou a sessão através da sua assessoria de imprensa.
Durante a sessão, o que se viu foi o descontentamento quase unânime das comunidades atingidas pela atividade mineratória. Dentre as várias queixas dos moradores locais, estão os impactos causados pelas constantes explosões promovidas nas minas, a grande quantidade de poeira que chega até mesmo na zona urbana, além da preocupação com a poluição dos rios que banham a área.
Nando Rosendo (PP), um dos vereadores presentes à sessão, disse que a Mineradora Vale Verde declarou já ter repassado ao município, desde o início da operação, cerca de 19 milhões de reais para ações de mitigação dos problemas, sendo que essas soluções ainda não chegaram à população.
Francisco Carlos, da comunidade Pau Ferro - uma das mais atingidas pelos impactos da mineração - tem poucas esperanças de que haja uma solução para o problema, e compara a situação de Craíbas com a de Mariana, cidade atingida pela ruptura de uma barragem com rejeitos de mineração em Minas Gerais.
“A Vale Verde pode a qualquer momento destruir Craíbas de uma vez só. Aquela barragem não tem a menor capacidade de manter a água que venha a qualquer momento. Vai acontecer o que? vai estourar, todos os resíduos vão para o São Francisco. Não tem como continuar, ela tem como resolver, ela sabe do problema, mas não quer. Vai acontecer como Mariana”, disse.
O temor de Francisco, que também é compartilhado pelas defensorias públicas do estado e da União, é que os rejeitos situados nas barragens e também os produtos químicos que são jogados no riacho Salgado, que chega até o Rio Traipu, que por sua vez deságua no Rio São Francisco, possa comprometer a vida de um dos rios mais importantes do país.
Defensor público da União, Dr Diego Bruno Martins Alves fez um balanço da atuação da DPU no caso e como se encontram as ações civis públicas que tramitam na justiça federal sobre a atividade mineratória em Craíbas.
Segundo o defensor, o órgão tomou conhecimento da situação em 2021, e desde então vem trabalhando no sentido de encontrar meios de atribuir responsabilidades à mineradora, dada a dificuldade por ela possuir todas as licenças ambientais e jurídicas necessárias para a operação.
Diego Bruno afirmou que vem conseguindo algumas vitórias na justiça, como o reconhecimento de que as rachaduras e outras avarias nas residências no entorno não ocorrem pela ‘qualidade das construções’, segundo afirmou a defesa da mineradora.
O defensor disse ainda que em visita recente às áreas impactadas, a juíza federal, o defensor e moradores chegaram a presenciar uma explosão ‘simulada’ sem nenhum barulho, no intuito de induzir a justiça a crer que as explosões ocorridas no local não são as causadoras dos danos nas residências.
Uma nova audiência pública, dia 22 de outubro, irá rediscutir a questão, com a presença do poder público municipal e de representantes da mineradora. Os deputados estaduais consideraram de grande importância a presença e o acompanhamento do caso a partir de agora.
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