MPF exige regularização de repasses do Estado ao Hospital Chama, em Arapiraca
Referência oncológica na região, unidade sofre com meses de atraso do Estado; outros programas estaduais também acumulam débitos
O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas voltou a cobrar, na última quarta-feira (01), a regularização dos repasses financeiros do Estado ao Hospital Chama, em Arapiraca. A unidade é referência no tratamento oncológico para a 2ª Macrorregião de Saúde de Alagoas, que abrange 47 municípios e atende cerca de 1.800 pacientes com câncer por mês.
A reunião foi conduzida pela procuradora da República Niedja Kaspary e teve como pauta principal os atrasos nos repasses estaduais, que colocam em risco a continuidade dos atendimentos oncológicos e de outros programas, como o Promater (maternidade) e o Mais Saúde (incentivos para especialistas). A situação já teria causado graves prejuízos aos pacientes, incluindo relatos de óbitos relacionados a interrupções de protocolos, atraso no início de tratamentos e descontinuidade de atendimento.
Segundo o hospital, embora o Ministério da Saúde tenha elevado o teto financeiro da oncologia, o Hospital CHAMA — único da região habilitado como NACON — não recebeu do Estado aumento proporcional dos valores. Pior: desde novembro de 2024, os repasses estaduais vêm sofrendo atrasos, mesmo com previsão expressa na Portaria SESAU nº 5.910/2023, que estabelece a responsabilidade de o Estado arcar com 70% do valor excedente e o Município de Arapiraca com os 30% restantes.

Os representantes do hospital relataram que a instabilidade financeira tem provocado redução do número de médicos, diminuição de carga horária, problemas na escala e sobrecarga dos profissionais que permanecem, resultando em interrupções de protocolos e atrasos de diagnósticos e tratamentos.
Durante a reunião, o Estado alegou dificuldades financeiras, mas não apresentou um cronograma de pagamento compatível com a gravidade da situação. Além disso, descumpriu o compromisso assumido em reunião ocorrida no MPF, em 2 de julho de 2025, quando havia prometido quitar as parcelas referentes a janeiro e julho até setembro. Para o Ministério Público, a proposta apresentada é insuficiente e muito aquém da obrigação legal do Estado, prevista na lei orçamentária, no Plano Estadual de Oncologia e na Emenda Constitucional nº 29/2000.
“O Hospital CHAMA é o único da 2ª macrorregião habilitado para assistência oncológica. A ausência de repasses compromete vidas e descumpre a responsabilidade constitucional do Estado de assegurar a continuidade dos serviços de saúde. O MPF buscou, até aqui, uma solução administrativa e extrajudicial, mas diante da reiterada omissão e do descumprimento de compromissos assumidos, adotará as medidas cabíveis”, afirmou a procuradora Niedja Kaspary.
O MPF também destacou a falta de resposta da Sesau a requisições ministeriais, o que reforça a dificuldade no enfrentamento das questões e a necessidade de maior transparência na gestão dos recursos do SUS.
Programas estaduais em atraso
Na mesma data, o MPF também realizou reunião para tratar dos problemas relacionados aos programas Promater e Mais Saúde. No caso do Promater, os atrasos chegam a 22 meses, o que levou ao fechamento de 40 leitos de maternidade, comprometendo o atendimento a gestantes usuárias do SUS no município.
O Estado, por sua vez, atribuiu os atrasos a dificuldades orçamentárias e bloqueios judiciais, pedindo prazo para apresentar cronograma de pagamento e para avaliar se continuará utilizando os serviços médicos oferecidos por especialistas na unidade de Arapiraca. A Sesau alegou ainda necessidade de reavaliação de sua rede, diante da abertura de novas unidades hospitalares estaduais.
Os argumentos do Estado foram rebatidos pelo MPF, considerando o Plano Estadual de Saúde e a Lei Orçamentária que prevê todos esses programas e repasses.
Últimas notícias
Turistas e ambulantes bloqueiam trânsito na orla da Ponta Verde e DMTT pede apoio da polícia
Jangada com fogos vira no mar e provoca pânico durante Réveillon em Maragogi
Primeiro bebê de 2026 em Alagoas nasce no Hospital da Mulher, em Maceió
Gusttavo Lima faz pocket show surpresa em resort na Barra de São Miguel e encanta hóspedes
Homem morre afogado no Pontal de Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas
Bell Marques puxa bloco em Maceió e celebra energia do público no primeiro dia do ano
Vídeos e noticias mais lidas
Policial Militar é preso após invadir motel e executar enfermeiro em Arapiraca
Alagoas registrou aumento no número de homicídios, aponta Governo Federal
Saiba o que a esposa do PM suspeito de matar enfermeiro disse em depoimento à polícia
Estado de Alagoas deve pagar R$ 8,6 milhões a motoristas de transporte escolar
