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Instalação de sismógrafo inicia investigação sobre tremores e rachaduras em casas de Craíbas

Equipamento será usado por pesquisadores da Ufop para monitorar vibrações próximas à Mineradora Vale Verde

Por 7Segundos 11/02/2026 09h09 - Atualizado em 11/02/2026 11h11
Instalação de sismógrafo inicia investigação sobre tremores e rachaduras em casas de Craíbas
Mineração Vale Verde - Foto: Reprodução/MVV

Uma equipe da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) iniciou a instalação de um sismógrafo na zona rural de Craíbas, no Agreste de Alagoas, para monitorar vibrações no entorno da Mineradora Vale Verde (MVV). O estudo tem como objetivo avaliar se a atividade mineradora possui relação com rachaduras registradas em residências da região.

O trabalho é coordenado pelo professor Carlos Henrique Arroyo Ortiz, doutor em Geociências e pesquisador nas áreas de modelagem geoestatística e geometalúrgica de depósitos minerais. A equipe multidisciplinar é composta por geólogos, geofísicos, físicos e engenheiros de mineração. O equipamento escolhido, um sismógrafo de engenharia da marca Ztex, é capaz de registrar vibrações entre 0,0127 mm/s e 250 mm/s.

A primeira estação de monitoramento foi definida para o Sítio Lagoa do Mel, onde o aparelho deverá operar por cerca de 20 dias. Na sequência, o equipamento será transferido para as localidades de Torrões e Pau Ferro. Os estudos serão financiados pela própria Mineradora Vale Verde, conforme acordo homologado pela Justiça Federal em setembro do ano passado.

A realização da pesquisa técnica atende a recomendações da Defensoria Pública da União (DPU) em Alagoas, no âmbito da Ação Civil Pública nº 0800795-44.2023.4.05.8001, que tramitou na 8ª Vara Federal. A DPU também orientou o aparelhamento das Defesas Civis de Craíbas e Arapiraca para acompanhamento do caso.

Desde 2021, a MVV realiza extração de cobre, ferro e ouro no povoado Serrote da Laje e em outras áreas rurais do município. Moradores atribuem rachaduras em imóveis a explosões semanais realizadas durante a atividade de mineração, chamadas pela empresa de “desmontes”.

Em notas oficiais, a Mineradora Vale Verde nega qualquer relação entre suas operações e os abalos registrados na região, afirmando que mantém monitoramento ambiental contínuo, segue a legislação brasileira e adota práticas alinhadas a padrões internacionais de ESG.