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Ministros do STF desconfiam que Toffoli gravou sessão secreta

Reproduções exatas de falas feitas na reunião fizeram ministros desconfiar que foram gravados sem autorização

Por Metrópoles 13/02/2026 15h03
Ministros do STF desconfiam que Toffoli gravou sessão secreta
Os ministros passaram a desconfiar que foram gravados por Toffoli após a divulgação de reportagens na imprensa com relatos precisos de falas feitas durante a reunião - Foto: Luis Nova / Especial Metrópoles

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) desconfiam que foram gravados pelo colega Dias Toffoli, durante reunião secreta realizada na Corte, na noite dessa quinta-feira (12). A informação foi publicada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

A reunião entre os 10 ministros da Corte, realizada na sede do Supremo, tratou sobre a condução de Toffoli no caso do Banco Master. Ao fim do encontro, os magistrados divulgaram uma nota informando que Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso.

Os ministros passaram a desconfiar que foram gravados por Toffoli após a divulgação de reportagens na imprensa com relatos precisos de falas feitas durante a reunião.

O Metrópoles procurou a assessoria de imprensa do ministro Dias Toffoli e do STF, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Saída de Toffoli da relatoria

• Dias Toffoli anunciou a saída da relatoria do caso Master no STF, na noite dessa quinta-feira (12).

• A decisão foi tomada após reunião com os 10 ministros para discutir relatório da Polícia Federal (PF).

• Documento da PF cita mensagens encontradas em aparelhos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com menções a Toffoli.

• O material é sigiloso e menciona negociações sobre um resort no Paraná ligado ao caso, o Tayayá.

• Toffoli admitiu ser sócio do resort, mas negou relação com Vorcaro e familiares.

• A decisão foi comunicada em nota assinada pelos 10 ministros, na qual disseram que, “considerados os altos interesses institucionais”, ficou acolhida a comunicação de Toffoli para deixar o caso.

• A presidência do STF adotou providências processuais para extinguir a arguição de suspeição aberta após envio de relatório da PF.

Toffoli resistiu a deixar relatoria do caso

A reunião que levou à decisão do ministro Dias Toffoli de deixar a relatoria do caso Master foi tensa. Durante quase 3 horas, os 10 ministros da Corte debateram qual seria a melhor saída para o magistrado, após a Polícia Federal apresentar relatório com conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, no qual foram encontradas menções a Toffoli.

O encontro na sala da presidência começou por volta das 16h40. Fachin apresentou o documento da PF e falou sobre a Arguição de Suspeição nº 244, aberta para investigar o caso.

De acordo com a coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, a reunião teve início tenso. Toffoli não queria deixar a relatoria do caso. A defesa do ministro foi de sua imparcialidade na atuação e de que não tinha relação de amizade com Vorcaro. Os colegas insistiram acerca do desgaste. Toffoli demorou para aceitar, mas, por fim, ficou decidido que a saída tinha de ser a pedido, com a retirada da arguição de suspeição contra ele.