Ansiedade e depressão crescem entre adolescentes e acendem alerta para famílias
Pesquisa nacional e especialista apontam sinais, causas e como famílias devem agir
O aumento de casos de ansiedade e depressão entre adolescentes tem acendido um alerta em todo o país. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 mostram um cenário preocupante: 18,5% dos jovens entre 13 e 17 anos afirmaram que a vida “não vale a pena ser vivida” na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores ao levantamento.
Além disso, 28,9% relataram sentir tristeza frequente, enquanto 42,9% disseram se sentir irritados ou mal-humorados com facilidade. Outro dado que chama atenção é que 32% dos adolescentes afirmaram já ter pensado em se machucar. O estudo também revela uma desigualdade entre meninos e meninas. Entre as adolescentes, os índices são significativamente maiores, com 25% relatando perda de sentido na vida e 43,4% dizendo já ter pensado em autolesão.
Para a psicóloga, neuropsicóloga e psicopedagoga Patrícia Dantas, o cenário reflete mudanças profundas no comportamento da nova geração. “Vivemos uma geração exposta a múltiplas pressões: excesso de estímulos digitais, comparações constantes nas redes sociais, demandas escolares e um ritmo de vida acelerado. O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento, e essa sobrecarga emocional pode favorecer o surgimento de sintomas”, explica.
Sinais de alerta
Segundo a especialista, nem todo adolescente desenvolverá um transtorno, mas alguns sinais precisam de atenção. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, irritabilidade, alterações no sono, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades antes prazerosas estão entre os principais indícios. “Quando o adolescente deixa de ser quem sempre foi, é um sinal de alerta”, destaca.
Influência da escola e das redes sociais
O ambiente escolar pode impactar diretamente a saúde mental dos jovens. Situações como bullying, pressão por desempenho e dificuldades de adaptação podem gerar sofrimento emocional. O uso excessivo de redes sociais também é apontado como fator agravante. “O excesso intensifica comparações, sensação de inadequação e interfere no sono e nas relações presenciais”, afirma Patrícia.

Autolesão e sofrimento emocional
O aumento de comportamentos autolesivos entre adolescentes também preocupa. Segundo a psicóloga, na maioria dos casos, a prática não está ligada diretamente à intenção de suicídio. “A autolesão é, muitas vezes, uma forma de lidar com emoções intensas. A dor física pode aliviar momentaneamente a dor emocional”, explica.
Ela ressalta que há relação direta entre ansiedade, depressão e esses comportamentos.
Quando buscar ajuda
A orientação é procurar ajuda profissional sempre que o sofrimento persistir por semanas ou começar a interferir na rotina. "A intervenção precoce faz toda a diferença”, afirma.
A especialista também orienta sobre como abordar o tema dentro de casa. “O mais importante é escutar sem julgamento. Evitar críticas e comparações. Frases simples como ‘estou aqui para você’ ajudam a criar um ambiente seguro”, diz.
Impactos da pandemia e da autoestima
Mesmo após a pandemia, os efeitos ainda são sentidos. Muitos adolescentes apresentam dificuldades de interação social e insegurança. Outro fator apontado pela pesquisa é a insatisfação com a própria imagem. Em 2024, apenas 58% dos jovens disseram estar satisfeitos com o corpo, enquanto 27,2% relataram insatisfação.
Prevenção
Entre os principais fatores de proteção estão vínculos familiares saudáveis, diálogo aberto, rotina estruturada, prática de atividades físicas e participação em atividades sociais. A escola também tem papel importante na identificação precoce e no apoio aos estudantes.
Em casos mais graves
Diante de sinais de risco de suicídio, a recomendação é agir imediatamente. “É fundamental levar o sofrimento a sério e buscar ajuda profissional. Em situações de urgência, o adolescente não deve ficar sozinho”, alerta.
Por fim, a psicóloga reforça a importância do cuidado com a saúde emocional.“Cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física. Buscar ajuda não é fraqueza, é responsabilidade”, conclui.
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