Educação

Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que não podem atuar

De acordo com os denunciantes, a situação começou a se agravar ainda em 2025, quando uma das estudantes solicitou colação de grau antecipada para assumir um cargo em hospital estadual e não obteve sucesso

Por Wanessa Santos 16/04/2026 09h09 - Atualizado em 16/04/2026 10h10
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que não podem atuar
Sala de aula. - Foto: Agência Brasil.

Alunos do curso de Fisioterapia da Uninassau Arapiraca denunciaram uma série de irregularidades relacionadas ao reconhecimento do curso junto ao Ministério da Educação (MEC). Segundo os relatos encaminhados à reportagem do 7Segundos, os estudantes afirmam que concluíram a graduação, mas enfrentam dificuldades para obter o registro profissional por falta de reconhecimento do curso no sistema do Ministério da Educação.

De acordo com os denunciantes, a situação começou a se agravar ainda em 2025, quando uma das estudantes solicitou colação de grau antecipada para assumir um cargo em hospital estadual. Mesmo com processo judicial, o pedido não foi atendido. Após a colação em data posterior, ao procurar o conselho profissional, veio a surpresa sobre a situação do curso.

Foi enviado à reportagem do 7Segundos prints de conversas com representantes da instituição, incluindo um coordenador, além de cópias de e-mails encaminhados pelo CREFITO-1. Nos materiais, há a indicação de que o curso não possui reconhecimento ativo pelo MEC, tendo apenas autorização de funcionamento.

Crefito informando que o curso não seria credenciado pelo MEC / Foto: Cortesia ao 7Segundos

Em uma das conversas, o coordenador do curso teria informado que ainda não há prazo para regularização, pois o processo depende de visita técnica do MEC, ainda sem data definida. Já em comunicação atribuída ao conselho profissional, a orientação é clara ao afirmar que o registro definitivo só pode ser concedido a formandos de cursos reconhecidos.

Troca de mensagens entre um dos alunos e o Coordenador da Uninassau / Foto: Cortesia ao 7Segundos

Diante disso, os estudantes afirmam que receberam apenas uma licença provisória para atuação profissional, com validade de 180 dias. A medida, segundo o próprio conselho, é excepcional e visa evitar prejuízos imediatos aos formandos, como perda de emprego, enquanto a situação institucional não é resolvida.

A falta de reconhecimento de um curso superior pelo MEC impede que o diploma tenha validade plena para fins profissionais. Na prática, isso significa que o graduado pode ser impedido de obter registro definitivo em conselhos de classe, participar de concursos públicos, ingressar em programas de residência ou exercer a profissão de forma regular, o que gera insegurança jurídica e prejuízos diretos à carreira.

Os denunciantes também afirmam que a instituição teria pedido para que o caso não fosse exposto publicamente. No entanto, a publicação de um vídeo nas redes sociais da faculdade, classificando como boatos as informações sobre a falta de reconhecimento do curso, motivou a decisão de tornar a situação pública. No conteúdo, a instituição sustenta que o curso está regular, com autorização e reconhecimento junto ao MEC, versão contestada pelos estudantes com base nos documentos apresentados.

Em nota, a Unissau diz que a denúncia não procede e se coloca à disposição para prestar esclarecimentos aos egressos. 

A UNINASSAU Araripina informa que a denúncia não procede. A instituição esclarece que atua em plena conformidade com a legislação vigente, especialmente o Decreto nº 9.235/2017, e que seus cursos estão devidamente autorizados e/ou reconhecidos pelos órgãos competentes, conforme os trâmites regulatórios aplicáveis.

A UNINASSAU ressalta ainda que não há registro de casos dessa natureza em seus canais oficiais de atendimento. De todo modo, a instituição permanece à disposição de estudantes e egressos para prestar esclarecimentos e oferecer o suporte necessário sempre que acionada.