Política

Marcha: Flávio diz que mundo e Brasil passam por 'guerra espiritual'

Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro participa pela 1ª vez da Marcha Para Jesus, que reúne milhares de fieis em São Paulo nesta 5ª

Por Metrópoles 04/06/2026 10h10
Marcha: Flávio diz que mundo e Brasil passam por 'guerra espiritual'
A 34ª Marcha para Jesus marca o “reencontro” público entre Tarcísio e Flávio - Foto: Jessica Bernardo/ Metrópoles

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (4), durante participação na Marcha Para Jesus, em São Paulo, que o mundo e o Brasil estão vivendo uma guerra espiritual e que o evento servirá para “recarregar a bateria”.

“É uma grande emoção estar aqui participando dessa marcha. E reenergizando, eu acredito que o mundo e o Brasil estão passando por uma grande guerra espiritual, e nada melhor do que estar aqui para recarregar a bateria e orar pelas famílias brasileiras”, afirmou Flávio em entrevista concedida à organização do evento.

A atual edição da Marcha Para Jesus reúne autoridades como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), além de diversos parlamentares. Também estão presentes o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, que recentemente teve sua indição ao Supremo rejeitada pelo Senado.

A 34ª Marcha para Jesus marca o “reencontro” público entre Tarcísio e Flávio. Nas últimas semanas, Tarcísio vinha mantendo um “distanciamento estratégico” do senador, desde que veio à tona o áudio em que Flávio cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pelo escândalo do Banco Master.

O pré-candidato ao Palácio do Planalto disse também que “queria muito” que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estivesse presente no evento.

“Às vezes a gente acorda com o coração meio apertado, tem que ajoelhar e pedir a Deus para dar aquela força e alegria no coração. E hoje é um dia que está explodindo aqui. Queria muito que meu pai tivesse aqui presente, mas vamos lutar por ele”, disse o senador em entrevista à organização da marcha, feita em cima do trio elétrico.

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar em Brasília. Ele foi condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Retorno a SP

Flávio retorna a São Paulo depois de cumprir agenda em Minas Gerais, de segunda-feira (1º/6) à quarta (3/6). Durante os três dias, o pré-candidato recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte na Câmara Municipal, visitou pontos turísticos da capital mineira e estendeu viagem até Contagem, Betim e Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba.

O senador esteve no estado em meio às negociações da direita para 2026 e à disputa de influência com grupos ligados aos pré-presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Minas é visto como um estado-chave para a eleição presidencial, e a viagem foi interpretada como parte da construção de seu palanque nacional.

O filho de Jair Bolsonaro busca evitar que a crise causada pela ameaça dos Estados Unidos em taxar o Brasil cause desgaste à sua pré-campanha, tentando se desassociar das possíveis sanções comerciais.

Nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu duas investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 sobre supostas práticas desleais do Brasil e recomendou tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. Os relatórios foram divulgados cerca de uma semana após encontro do senador com o presidente Donald Trump, na Casa Branca.

“Tariflávio”

As novas tarifas ainda precisam passar por etapas internas e dependem do aval de Trump, podendo substituir o tarifaço anunciado no ano passado.

O Palácio do Planalto atribui o movimento à atuação da família do ex-presidente. Nas redes sociais, aliados do governo passaram a usar o termo “Tariflávio” para associar o senador às medidas.

Nos últimos dias, Lula intensificou as críticas à oposição e, nessa quarta-feira (3), durante reunião ministerial, acusou adversários de articularem sanções contra o Brasil por interesses eleitorais. Lula chamou Flávio de “traidor da pátria”.