Política

Estudantes e professores denunciam intimidação de grupo político na Ufal em Arapiraca

Grupo chegou ao campus em carros de luxo e teria ameaçado retirar cartazes e materiais

Por 7Segundos 09/10/2026 08h08 - Atualizado em 09/10/2026 15h03
Estudantes e professores denunciam intimidação de grupo político na Ufal em Arapiraca
Estudantes e professores denunciam intimidação de grupo bolsonarista na Ufal em Arapiraca - Foto: Reprodução

Um áudio que circula nas redes sociais relata um suposto episódio de intimidação contra estudantes e professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no campus Arapiraca, na noite dessa quinta-feira (8).

Segundo o relato atribuído a uma estudante, o grupo identificado pelos alunos como bolsonarista foi liderado por um vereador da região. Cerca de dez pessoas teriam chegado à universidade em uma caminhonete adesivada com material de divulgação de Flávio Bolsonaro.

“Eles começaram a coagir uma professora, agir agressivamente com ela e arrancaram os cartazes que a galera estava colocando”, disse.

O 7Segundos entrou em contato com a Ufal, que informou, por meio de nota, que já tomou providências junto aos órgãos de Segurança Pública do estado e à Polícia Federal para que seja feita apuração dos fatos registrados ontem à noite, no Campus Arapiraca. Leia a nota abaixo.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A gestão central da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) vem esclarecer à sociedade alagoana e a toda a comunidade universitária que já tomou providências junto aos órgãos de Segurança Pública do estado e à Polícia Federal para que seja feita apuração dos fatos registrados ontem à noite, no Campus Arapiraca.

Presta total apoio e solidariedade à docente e aos estudantes que sofreram insultos e agressões verbais dentro da unidade em Arapiraca, além de rechaçar qualquer tipo de intimidação em relação aos atos organizados pelo movimento estudantil no Campus A.C. Simões, em Maceió.

A gestão vê com muita preocupação esse tipo de intervenção de agentes públicos ou quaisquer outras pessoas, que não têm o direito de entrar em uma instituição pública e ameaçar a comunidade acadêmica. O espaço universitário é plural, diverso e democrático e deve ser respeitado.

Diante da gravidade dos fatos ocorridos, a Ufal reafirma o compromisso inegociável com a integridade física, a liberdade de manifestação e a segurança de estudantes, docentes, técnicos-administrativos e terceirizados, a Reitoria informa que já tomou as seguintes providências:
1. Enviou expediente à Secretaria de Segurança Pública, à Superintendência da Polícia Federal em Alagoas, ao Ministério Público Federal, ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), à Prefeitura e à Câmara Municipal de Vereadores de Arapiraca, com o intuito de solicitar apoio institucional imediato, apuração rigorosa dos fatos e a identificação dos responsáveis pelas ameaças.

2. Também solicitou reforço no monitoramento e nas ações ostensivas de segurança nos perímetros dos campi, em Maceió e Arapiraca, com o objetivo de prevenir confrontos, conter eventuais atos de violência e garantir o funcionamento seguro e democrático da vida universitária.

A gestão da Universidade reforça, ainda, que não tolera qualquer forma de violência, intimidação ou coerção dentro de seus espaços acadêmicos e reafirma o papel da universidade pública como um ambiente livre, democrático, pautado pelo diálogo, pelo respeito à diversidade e pelo livre direito de pensar e de manifestação.

Maceió, 9 de outubro de 2026

Universidade Federal de Alagoas
Gestão Central


Incêndios na UFPE

- A situação ocorre poucos dias após um incêndio atingir um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, onde funciona um laboratório de pesquisa científica. O reitor da instituição, Alfredo Gomes, estima que as chamas tenham causado prejuízos de R$ 100 milhões.

- Nas redes sociais, estudantes relataram que o incêndio ocorreu logo após ameaças atribuídas a um grupo bolsonarista.

- A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar o incêndio, mas oficialmente as ameaças ainda não são uma linha de investigação. 

- Vale lembrar que a UFPE registrou três incêndios em um intervalo de oito dias.