Katy Perry cai no velho pop enlatado com novo disco ‘Smile’
A semana não poderia ser mais emocionante para Katy Perry. Um dia depois de dar à luz sua primeira filha, Daisy Dove Bloom, na quinta-feira, 27, fruto do relacionamento com o ator Orlando Bloom, nasceu, nesta sexta, seu sexto álbum de estúdio, Smile. A colorida cantora, que gosta de ousar em figurinos e músicas pop dançantes, apresenta neste novo trabalho uma versão sua mais íntima e emotiva, e levemente menos espalhafatosa, apesar do figurino de palhaço triste na capa. O clima do disco, porém, é mais do mesmo: um pop enlatado, sem faixas arrebatadoras, que segue o piloto automático engatado pela cantora nos últimos anos.
Com o nascimento da filha, talvez Katy ainda não tenha tido tempo para ler o que a crítica estrangeira achou do novo álbum. Se leu, talvez tenha ficado um pouquinho menos feliz. O site especializado Pitchfork, por exemplo, afirmou que o álbum é “cheio de clichês” e “inadequado para uma vida em pandemia”. A revista Entertainment Weekly também não economizou na paulada e afirmou que Katy soa repetitiva. “Uma estrela comprometida em permanecer agradavelmente, fundamentalmente inalterada – e esse pode ser o único pecado mortal que a música pop não pode perdoar”. Pesado.
De fato, ao contrário dos lançamentos anteriores de Katy, o novo disco não conta com nenhuma música com a força de California Gurls, de Teenage Dream (2010), ou Roar, de Prism (2013). Saem também os hits divertidos e com um tempero sensual e entra a melancolia — uma contradição proposital ao título Smile (sorria, em português).
O disco pode até não ser o melhor trabalho da cantora, mas possui méritos, especialmente no que diz respeito aos temas tratados por ela. É o caso de Never Really Over, faixa que abre o disco, divulgada em 2019, e que fala sobre saúde mental. Autocuidado e resiliência surgem nas faixas Not The End of The World e Resilient. Depois de passear por todos esses assuntos e, eventualmente chorar pelo caminho, Katy encerra com What Makes a Woman, uma balada em que ela clama por band-aids para o coração.
A melhor canção do disco encosta na nova experiência da maternidade. Intitulada Daisies(margaridas), plural do nome de sua filha, a música fala sobre aceitação feminina e suas fases. Nela, Katy canta que sempre foi chamada de doida, mas que não vai mudar nem se estiver coberta de margaridas.
A levada tranquila, sem sobressaltos, se mantém até o final do disco. No mesmo ano em que saíram novos trabalhos de Lady Gaga, Taylor Swift e Beyoncé — e em plena pandemia —, todas em momentos de virada da carreira, Katy Perry se mostra presa à zona de conforto. Talento para dar a volta por cima ela tem. Que após a melancolia, Katy encontre uma nova fase para voltar a brilhar. Todos aguardam.
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